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Em entrevista, Jorge Rosa tenta livrar goleiro Bruno e culpar Macarrão, mas se contradiz

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postado em 25/02/2013 07:26 / atualizado em 25/02/2013 08:40

Flávia Ayer

Mais uma reviravolta no caso Eliza Samudio, desta vez protagonizada por Jorge Luiz Rosa, primo do goleiro Bruno Fernandes. Depois de cumprir medida socioeducativa por dois anos e dois meses, ingressar no Programa de Proteção à Testemunha e deixar a proteção oficial, Jorge, que na época da morte de Eliza era menor, quebrou o silêncio e,em entrevista cheia de contradições, concedida ontem ao programa Fantástico, apontou Luiz Henrique Ferreira Romão,o Macarrão, como mandante do crime, mas não conseguiu livrar o ex-capitão do Flamengo da suspeita de ter articulado o assassinato de Eliza.

O resultado de tantas controvérsias é que defesa e acusação querem que Jorge, dispensado do banco de testemunhas no julgamento de Macarrão, em novembro, seja convocado para depor no tribunal de júri de Bruno, marcado para4demarço,em Contagem. O promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro acredita que, diante dos jurados, Jorge poderá, enfim, contar toda a verdade sobre a morte da ex-amante de Bruno.

Já o defensor do goleiro, o advogado Lúcio Adolfo da Silva, vê nas declarações do rapaz a chance de provar a inocência de seu cliente. Foi a primeira vez que o primo de Bruno, hoje com 19 anos, mostrou seu rosto na televisão. Nervoso e reticente, Jorge respondeu às perguntas procurando incriminar Macarrão, chegando a dizer que o braço direito de Bruno queria matar a dentista Ingrid Calheiros, na época uma das namoradas e hoje mulher do goleiro.

“Ele falou que tinha que matar a Ingrid porque ela não fazia bem para o Bruno. Eu precisava de dinheiro e pensei em fazer isso, mas depois desisti”, disse Jorge. Pelo serviço, Macarrão pagaria R$ 15 mil a Jorge. O rapaz contou detalhes do sequestro de Eliza, que foi retirada de um hotel no Rio num carro com Macarrão e com ele. Jorge revelou que os dois deram socos no rosto da mulher durante uma discussão.

Quanto aos dias que antecederam a morte da ex-amante do atleta, período em que ela ficou no sítio de Bruno, em Esmeraldas, Jorge, na primeira parte da entrevista, apontou Macarrão como o articulador e mandante do assassinato, dizendo que Bruno foi pego de surpresa e não sabia de nada.

Essa versão foi mantida quando Jorge narrou detalhes da noite em que Eliza foi morta,o que ocorreu em 10 de junho de 2010. Ele disse que a mulher foi colocada em um carro junto com o filho Bruninho, Macarrão e ele, com a desculpa de que seria levada para um hotel e receberia R$30 mil. Guiados por um motociclista, que Jorge não identificou, mas que a polícia suspeita ser o ex-policial José Lauriano de Assis, o Zezé, Macarrão levou o carro até uma casa, onde Eliza entrou com o filho e foi assassinada.

Neste ponto, a versão do menor contradiz totalmente o que Macarrão declarou em seu julgamento,em novembro. Na ocasião,o amigo e confidente de Bruno afirmou ter levado até um homem, na Região da Pampulha. Esse desconhecido desceu de um carro preto e fez Eliza embarcar no veículo. Depois disso, a mãe de Bruninho não foi mais vista. Jorge também alterou o que ele mesmo disse à Justiça,em 2010,quando revelou os primeiros detalhes do caso.

Na entrevista de ontem, ele negou ter visto um homem estrangular Eliza. Na nova versão, Jorge disse que Macarrão entrou com Eliza e Bruninho numa casa e depois de 30 ou 40 minutos, só Macarrão saiu. Já no carro, Macarrão lhe contou que Eliza havia sido estrangulada pelo desconhecido e que, depois de morta, teria sido chutada pelo próprio Macarrão. Quanto a Bruninho, Jorge afirmou que a criança só não foi assassinada porque o executor de Eliza se recusou a praticar o crime.

MEDO E DEFESA


Jorge negou conhecer o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos,o Bola, que ele mesmo apontou como o assassino de Eliza. “Bola, que Bola?”, chegou a perguntar à repórter, demonstrando todo o medo que sente do ex-policial. Também procurou defender Bruno, dizendo que o goleiro não sabia de nada e teria ficado desesperado quando Macarrão lhe contou como havia se livra do de Eliza. Depois, quando a entrevista já havia sido encerrada, Jorge voltou atrás e pediu para responder de novo a algumas perguntas. E em suas respostas não foi tão enfático na defesa que fez do primo. Ele afirmou que o primo não mandou matar, mas sabia que isso aconteceria. “Não tinha como não desconfiar. Estava debaixo do nariz dele. Como Macarrão do jeito que gostava tanto dele, fazia qualquer coisa por ele, não desconfiar daquilo ali?Não mandou matar, mas...”
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