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Depoimento ao promotor

Macarrão explica tatuagem, diz que não é homossexual e volta a culpar o goleiro Bruno

Réu também respondeu sobre seu relacionamento com Marcos Aparecido, o Bola

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postado em 22/11/2012 03:57 / atualizado em 22/11/2012 08:01

Daniel Silveira, João Henrique do Vale e Emerson Campos

Durante o interrogatório do promotor Henry Castro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, continuou o desabafo contra o melhor amigo, o goleiro Bruno. Com mais de 4h de depoimento no Fórum de Contagem, o réu ainda conta, em muitos momentos emocionado, sua versão sobre o desaparecimento da modelo Eliza Samudio.

Na primeira hora de interrogatório do promotor, Macarrão aproveitou para explicar a tatuagem feita para Bruno, segundo ele, por causa da classificação em um campeonato do 100%, time de futebol amador comandado pelos dois em Ribeirão das Neves. "Fiz a tatuagem naquela semana porque o 100% tinha ido para a semi-final", esclareceu.

Luiz Henrique tocou no assunto depois de confirmar que move uma ação contra o ex-advogado de Bruno, Rui Pimenta, por causa da acusação de que seria gay. "Se fosse homossexual, não teria vergonha nenhuma de assumir. Mas o que passei dentro do sistema, fui humilhado, ninguém sabe", contou chorando.

Bola é citado pela primeira vez

O nome de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, surgiu pela primeira vez no depoimento. Henry Castro questionou as ligações de Macarrão para o suposto assassino de Eliza e o réu explicou que todos usavam sua linha no sítio. Segundo Macarrão, ele só conhdeceu o ex-policial na cadeia. Ele ainda revelou investidas de Marcos para que seu filho jogasse na equipe de futebol de Neves.

Bruno é apontado novamente como culpado

Macarrão voltou a desabafar contra o amigo e culpou Bruno pelas agressões contra Eliza no Rio de Janeiro, pelas quais cumpre pena. Nas três primeiras horas de depoimento, durante o interrogatório da juíza Marixa Rodrigues, Luiz Henrique já havia dito que foi Bruno que ordenou o sumiço da modelo. Leia mais.

Carta e suposto 'plano B'

O promotor questionou a carta em que Bruno sugeria o 'plano B' ao amigo. Macarrão disse que não chegou a recebê-la, alegou que foi desviada na penitenciária. Afirmou ainda que soube do documento pela imprensa e confirmou que entende por 'plano B' que ele assumisse todo o crime pelo amigo a quem ele considerava um irmão.

O promotor encerrou o interrogatório pouco depois das 4h e o depoimento continuou com os assistentes de acusação.

Confira os principais pontos do depoimento de Macarrão ao promotor:

* "Quero saudar o senhor pela coragem neste interrogatório", declara o promotor Henry Castro antes de começar a interrogar Macarrão;

*Promotor pergunta se ele se sente traído. Macarrão cita que foram 18 anos de amizade e que por 10 meses Bruno o viu chorar na cadeia;

*Diz que Bruno lhe pediu perdão pela entrevista em que o incriminou e completa "acho que ele não foi honesto com ele mesmo", diz;

* "Você pediria perdão também à Dayanne?", pergunta promotor. "Pediria. Todas as pessoas envolvidas nisso foram prejudicadas, inclusive eu". Em seguida, Macarrão diz que quem tem de pedir perdão à Dayanne é o Bruno;

* Diz ainda que se Sérgio estivesse vivo também não teria de pedir perdão a ele. "Ao contrário, ele que tinha de me pedir perdão pelas mentiras";

* Questionado pelo promotor, Macarrão diz que seu silêncio neste dois anos prejudicou a ele próprio e outros envolvidos e beneficiou Bruno;

* Macarrão diz que foi condenado injustamente pela Justiça carioca por agressão contra Eliza Samudio e culpa Bruno pelo ocorrido;

* Macarrão confirma que move ação por danos morais contra o ex-advogado de Bruno, Rui Pimenta, por ter afirmado que ele é homossexual;

* "Se fosse homossexual, não teria vergonha nenhuma de assumir. Mas o que passei dentro do sistema, fui humilhado, ninguém sabe", diz chorando;

* Fiz a tatuagem naquela semana porque o 100% tinha ido para a semi-final do campeonato", esclarece;

* Nome do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos é citado pela primeira vez no interrogatório. Macarrão diz que só o conheceu na cadeia;

* Promotor exibe para Macarrão registro de ligações feitas do celular do interrogado para o celular de Bola. Em seguida mostra as recebidas. Macarrão afirma que no sítio seu celular só funcionava em um ponto específico e que todos faziam uso do aparelho;

* Promotor admite ter identificado que eram inúmeras as chamadas feitas e recebidas pelo número de celular do Macarrão.

* Macarrão diz que Bola, a quem não conhecia, insistia com Bruno para que o filho ingressasse no 100%. Macarrão cita o apelido "Zezé", se referindo a um amigo de Bola com quem conversava sobre o filho do ex-policial que queria entrar no 100%;

* Ele destaca que desconhecia nome e apelidos de Bola, que sempre o tratava por 'parceiro', 'irmão' ou 'cara';

* Promotor pergunta se Zezé é José Laureano, citado por Jailson como comparsa de Bola na execução de Eliza. Macarrão diz que não sabe quem é;

* Promotor cita que Bola enviou mensagem de texto para o celular de Macarrão 40 minutos antes da polícia estourar o sítio de Bruno. Macarrão disse que desconhece a existência de qualquer mensagem.

* Promotor quer saber sobre ligações do número de Dayanne para o de Macarrão na madrugada em que ela foi presa. Ele diz que eram as delegadas;

* Última pergunta do promotor é sobre uma carta que Bruno teria encaminhado a ele sugerindo adoção de um plano B. Macarrão diz que não chegou a receber a carta, que foi desviada na penitenciária. Afirma que soube do documento pela imprensa. Porém, Macarrão diz que entende por plano B que ele assumisse todo o crime pelo amigo a quem ele considerava um irmão.