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Advogados manobram para manter silêncio em Contagem

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postado em 20/07/2010 07:29

Pedro Rocha Franco

O goleiro Bruno Fernandes de Souza, seu amigo e secretário Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que estão entre os oito acusados de envolvimento no sumiço da modelo Eliza Samudio, foram convocados pelo Juizado da Infância e da Juventude de Contagem a prestar esclarecimentos em audiência de instrução sobre todas as acusações que recaem sobre eles no processo relacionado ao adolescente J., primo do ex-jogador, na quinta-feira. Porém, o que era considerado um dia decisivo para as investigações sobre o crime pode tornar-se mais uma sequência de interrogatórios improdutivos. A defesa dos acusados já adiantou que orientará seus clientes a ficar calados, mesmo diante do juiz.

Além dos três suspeitos, foram chamados Sérgio Rosa Sales, também primo de Bruno, preso no Ceresp Lagoinha, e o motorista José Carlos da Silva, responsável pela denúncia à Super Rádio Tupi, dos Diários Associados, que começou a revelar a trama que culminou com o sumiço da modelo. No caso do motorista, tio do adolescente, a oitiva ocorrerá por meio de carta precatória, já que ele mora em São Gonçalo, na Grande Rio. O juiz Elias Charbil deve enviar as perguntas ao juizado do Rio e, em seguida, as respostas serão remetidas a Minas.

Em todas as convocações feitas pela Polícia Civil de Minas Gerais, Bruno foi orientado a se manter calado. Nas vezes em que deu entrevistas antes de ser preso, o goleiro sustentou que não sabia nada sobre o sumiço de Eliza e disse que toda a culpa seria de seu amigo, Macarrão. Sob juramento, na quinta-feira, se ele optar por se pronunciar, podem surgir novas contradições no caso, em relação aos depoimentos prestados por J. e Sérgio – os únicos dois presentes no Condomínio Turmalina, em Esmeraldas, na Grande BH, entre os dias 5 e 10 de junho, que se dispuseram a falar sobre o que teria ocorrido. Mas a defesa anuncia nova manobra para que o goleiro se cale diante das acusações que pesam contra ele. “Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Portanto, como essa audiência está diretamente relacionada à investigação da Polícia Civil, eles podem e devem se reservar o direito de ficarem calados”, adiantou Ércio Quaresma, que defende o atleta e seu funcionário.

O adolescente estará presente na sala de audiência, mas não será ouvido desta vez. Como tramita em segredo de Justiça, somente os interessados estarão presentes, mas, mesmo assim, deve ser mobilizado forte aparato para escoltar os envolvidos. A audiência serve para coleta de provas orais. O passo seguinte são as alegações finais, tanto do Ministério Público quanto da defesa. O advogado Eliézer Jônatas, que assumiu o caso do adolescente na semana passada, disse que na quarta-feira fará convocação de suas testemunhas, mas reiterou que devem ser mantidas as mesmas da promotoria.

O menor pode participar ainda de uma acareação com Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, solicitada à Justiça pela Polícia Civil. Mas o advogado já adiantou que orientará o cliente a não falar nada nem participar da simulação.

Tramitam simultaneamente dois processos relacionados ao caso de Eliza Samudio: um relacionado ao menor e o outro envolvendo todos os adultos suspeitos de participação no sumiço da jovem. Como no caso do adolescente é preciso que o juiz dê a sentença em até 45 dias, o processo corre mais rápido. Depois de ser denunciado pelo Ministério Público por homicídio, sequestro e cárcere privado, o juiz Elias Charbil decidiu pela internação de J. no Centro de Internação Provisória (Ceip) do Bairro Horto, Região Leste da capital. Se condenado, o menor pode ter de cumprir medida socioeducativa por até três anos.