Benno Graas e Thecla Graas percorreram mais de 580 mil quilômetros ao redor do mundo ao longo de quatro décadas. A viagem do casal continua a bordo de uma Royal Enfield 350 Bullet, fabricada em 1982 e comprada de segunda mão na Holanda do Norte, região natal de Benno. Na época, a motocicleta custou 4.495 florins, valor equivalente a quase 2 mil euros.

A compra aconteceu três anos depois de Benno pensar em abandonar as motos, após sofrer um grave acidente com uma Triumph Tiger. A Royal Enfield, de origem britânica e montada na Índia, estreou nas estradas em uma viagem de 8 mil quilômetros por Ucrânia, Polônia e Checoslováquia. O percurso serviu para amaciar o motor e identificar os primeiros ajustes necessários.

Moto passou por diversas modificações mecânicas

A distância percorrida pelo casal equivale a aproximadamente 12 voltas ao redor da Terra. Apesar disso, poucas peças da motocicleta permanecem originais. Atualmente, restam o chassi da história compartilhada pelos dois viajantes e algumas partes da carroceria, enquanto os componentes da transmissão e do motor foram substituídos ao longo dos anos.

Com experiência profissional como mecânico, Benno realizou modificações para aumentar a confiabilidade do veículo. A simplicidade mecânica também contribuiu para a continuidade das viagens.

O modelo tem motor monocilíndrico com carburador, potência de 17 cavalos e funcionamento em rotações moderadas. Além disso, o curso longo do motor faz parte das características dessa configuração mecânica.

Outro fator importante foi o ritmo das expedições. Durante décadas, Benno e Thecla viajaram em velocidades moderadas para reduzir o desgaste dos componentes e preservar a motocicleta.

Viagens incluíram desertos, montanhas e diferentes continentes

A sequência de expedições começou em 1986, depois de Benno conhecer outros motociclistas no norte da África. Antes disso, ele havia passado sete meses viajando de carona até Damasco.

Em uma travessia pelo deserto em direção a Tombuctu, no Mali, Benno recebeu do jornal francês Le Parisien o apelido de Le roi du Sahara, que significa “O rei do Saara”. A alcunha surgiu porque ele conseguia avançar pelas dunas com a Royal Enfield, enquanto um motociclista francês, que pilotava uma BMW Dakar, atolava repetidamente.

A jornada também foi marcada por problemas de saúde. Em 1992, Thecla contraiu malária e precisou ser hospitalizada na Tanzânia. Em outra ocasião, o casal visitou o Tibete sem a motocicleta.

Posteriormente, os dois retomaram as viagens sobre duas rodas e passaram sete meses percorrendo a América do Norte, do Alasca ao México.

O roteiro incluiu ainda a Patagônia e o Pantanal brasileiro. Em determinados trechos da Amazônia, a motocicleta precisou ser transportada em um caminhão. Já no rio Nilo, o casal seguiu viagem de barco.

Nas montanhas do Peru, as subidas íngremes também impuseram dificuldades. Em alguns trechos, Benno e Thecla tiveram de empurrar a motocicleta para continuar o percurso.

Uma jornada que continua após quatro décadas

A experiência de Benno e Thecla mostra que uma viagem de longa duração exige mais do que disposição para enfrentar estradas e fronteiras. A manutenção constante, as adaptações mecânicas e o cuidado com a velocidade foram fundamentais para manter a Royal Enfield em circulação.

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Ao longo de 40 anos, a motocicleta passou por substituições de componentes e reparos, mas continuou acompanhando o casal em expedições por diferentes partes do planeta. Com mais de 580 mil quilômetros percorridos, a jornada permanece em andamento.


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