O Governo da Espanha decidiu expropriar o terreno onde foi erguido o hotel El Algarrobico, localizado no Parque Natural de Cabo de Gata-Níjar, na costa de Almería. A medida busca viabilizar a demolição da estrutura inacabada e restaurar a área ambiental após mais de duas décadas de disputas jurídicas.

A construtora Azata del Sol iniciou as obras em 2003. O projeto previa um complexo turístico com 21 andares e mais de 400 quartos, erguido a apenas 14 metros do mar. A Justiça interrompeu os trabalhos em 2005 após constatar violações das normas ecológicas.

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O empreendimento ocupou um solo classificado como não urbanizável dentro de uma reserva protegida pela Lei de Costas de 1988, norma que proíbe intervenções em zonas litorâneas sensíveis. Desde então, a carcaça do edifício transformou-se em símbolo da disputa entre expansão urbana descontrolada e conservação ecológica.

Histórico de impasses e decisões judiciais

Mais de 20 determinações emitidas pelos tribunais ordenaram a derrubada do prédio ao longo dos anos. A construtora, chefiada pelo empresário José Domingo Rodríguez Losada, tentou impedir a demolição e buscou compensações financeiras, mantendo a estrutura visível na paisagem. Segundo o jornal espanhol "El Diario", a edificação virou um monumento de desrespeito às normas de uso do solo.

A ministra María Jesús Montero comunicou em fevereiro a expropriação da área pelo Estado. O governo espanhol assumirá os custos da demolição, enquanto a Junta da Andaluzia ficará responsável pela remoção dos escombros e pela recuperação do ecossistema local.

Negligência municipal e próximos passos

O jornal "El Diario" apontou que a intervenção federal ocorre após anos de negligência e resistência das lideranças locais, que não executaram as sentenças anteriores. O município de Carboneras recebeu críticas severas pela omissão em cumprir as deliberações judiciais que consideravam a derrubada legal.

A vice-presidente do Governo Espanhol ressaltou que o Estado buscará alternativas para garantir a destruição da obra se a administração regional não agir. A iniciativa encerra um litígio travado por ambientalistas, autoridades e a construtora, que cobrava do poder público as despesas das medidas.

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A demolição depende do encerramento formal do processo de expropriação. A conselheira Catalina García indicou que os serviços poderiam começar em abril, mas o prazo não teve confirmação oficial, restando indefinido o momento exato em que a estrutura irá abaixo.


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