Por que a Fazenda do Lago vende apenas 470 lotes em 3 milhões de metros quadrados
compartilhe
Um empreendimento imobiliário de 3 milhões de metros quadrados poderia, em tese, comportar milhares de unidades. A Fazenda do Lago, projeto do Grupo CPR às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia, no interior de Goiás, optou por um caminho oposto: apenas 470 lotes, distribuídos em 33 quadras planejadas. A escolha, incomum no mercado de loteamentos de alto padrão, tem uma lógica econômica direta por trás.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Menos unidades significam menos receita por hectare, o que obriga o empreendimento a sustentar valor por um caminho que não é o volume de escrituras. Segundo a incorporadora, esse caminho é a estrutura entregue: quatro clubes com operação independente (SPA, Marina, Golf Course e Surf Club) e 19 amenidades, entre elas centro equestre, vinícola, kids village e ambulatório, distribuídos por uma fração da área total do projeto.
A proporção entre lotes e área total descreve uma ocupação deliberadamente rarefeita. A maior parte dos 3 milhões de metros quadrados não é lote, e é justamente essa fração sem função imobiliária direta que sustenta, segundo a lógica do empreendimento, o valor de venda das 470 unidades restantes.
Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR, resume a tese comercial por trás da decisão: "A gente não vende lote, vende comunidade. O que estamos construindo é um lugar em que o clube é o centro da vida, e a casa vem em volta dele."
O acesso ao empreendimento é feito pela BR-060, com pavimentação integral, a uma distância de 1h10 de Brasília, 50 minutos de Anápolis e 1h40 de Goiânia. A localização, no eixo entre as duas principais capitais do Centro-Oeste, mira o morador de capital que busca segunda residência de uso frequente, público que costuma pesar o custo de imobilizar capital em um lote com pouca estrutura ao redor.
Além dos quatro clubes, o programa de amenidades soma quadras de tênis e de beach tennis, wellness club e heliporto, e o projeto prevê ainda um hotel internacional dentro do próprio perímetro. Energia e iluminação subterrâneas fazem parte do investimento em infraestrutura que, segundo o Grupo CPR, precisa estar pronta antes da ocupação, já que a execução dessas obras depois que as casas sobem eleva o custo a ponto de inviabilizar a mudança.
Para quem avalia comprar um lote fora do próprio estado, a equação proposta pelo empreendimento inverte a lógica mais comum do setor de loteamentos de lazer. Em vez de vender metro quadrado e prometer infraestrutura para uma etapa futura, o projeto entrega a estrutura completa desde a primeira fase de comercialização, e o número reduzido de lotes funciona como garantia de que essa estrutura não vai precisar atender uma demanda maior do que a planejada.
O acesso à comunidade passa pelo Founder Circle, curadoria de membros que funciona como critério adicional de entrada, somado ao valor do lote. Para o empresário mineiro que avalia diversificar patrimônio com um imóvel de lazer fora do estado, o dado relevante não é apenas o preço por metro quadrado, mas a proporção entre o que se paga e o que já está entregue no momento da compra.
Cada um dos quatro clubes reforça essa lógica de estrutura antecipada. A Marina, com mais de 400 vagas em um terreno de 30 mil metros quadrados, já opera desde a primeira fase, assim como o Golf Course, que abre com 9 buracos e tem expansão prevista para 18 em novas etapas. O Surf Club, com piscina de ondas em funcionamento o ano inteiro, e o SPA completam o conjunto que, segundo o Grupo CPR, justifica a categoria de wellness district atribuída ao projeto.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A leitura para quem avalia esse tipo de compra costuma ir além do metro quadrado disponível. Um lote em um empreendimento com 470 unidades e infraestrutura operando desde o início tende a responder de forma diferente a perguntas que fazem parte de qualquer avaliação patrimonial séria: o que acontece com o valor do imóvel se a estrutura prometida nunca for concluída, e quanto tempo até a estrutura efetivamente entrar em uso. Na Fazenda do Lago, segundo a incorporadora, essas duas perguntas já têm resposta antes da assinatura do contrato.