Viajar de carro para Ilhabela pode parecer, à primeira vista, uma opção simples: abastecer, pegar a estrada e embarcar rumo ao litoral. Mas, antes mesmo de colocar os pés na ilha, o motorista pode acumular uma série de despesas que vão muito além do combustível. Na conta entram pedágios rodoviários, o sistema Free Flow da Rodovia dos Tamoios e, já na chegada ao destino, a Taxa de Preservação Ambiental (TPA).

Para quem está planejando a viagem, a pergunta é inevitável: quanto custa realmente chegar a Ilhabela de carro?

A resposta depende do ponto de partida, do consumo do veículo e do número de pedágios no trajeto. Mas uma coisa é certa: a viagem ganhou uma cobrança adicional que não existia da mesma forma para o visitante no passado. Desde 31 de março, Ilhabela voltou a cobrar a TPA, registrada eletronicamente pela placa do veículo.

Para um carro de passeio, o valor é de R$ 48 por entrada na ilha. A taxa não é diária: o visitante paga uma vez a cada entrada, independentemente de quantos dias permanecer no destino.

A conta começa antes da balsa

O primeiro item da conta é o combustível. O valor varia conforme a distância percorrida, o preço do litro e o consumo do veículo. Para quem sai da capital paulista, por exemplo, são centenas de quilômetros entre ida e volta, o que torna o combustível um dos principais componentes do orçamento.

Depois vêm os pedágios rodoviários. Dependendo da rota escolhida, o motorista pode encontrar diferentes praças de cobrança ao longo do caminho.

E há ainda uma mudança importante: quem utiliza o Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios, no sentido São Sebastião e Ilhabela, encontra cobrança pelo sistema Free Flow. Não há cabine nem necessidade de parar o veículo. A placa é identificada eletronicamente e o pagamento ocorre posteriormente ou por meio de sistemas automáticos.

Isso significa que o motorista precisa prestar atenção a duas cobranças diferentes: o pedágio da estrada e a taxa municipal de Ilhabela.

O Parque Estadual de Ilhabela engloba cerca de 85% da ilha, com cachoeiras famosas como a da Toca. Wikimedia Commons/João D'Andretta
Tubarão-baleia foi visto e fotografado em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo Rafael Mesquita/Divulgação
Com a recuperação populacional da espécie observada em anos recentes, avistagens ao norte e ao sul desta região vêm se tornando mais frequentes, como na Bacia de Campos no Rio de Janeiro e no entorno de Ilhabela em São Paulo. Flickr Aliéte Lina
No início de 2025, Praia do Bonete, localizada em Ilhabela, foi considerada uma das mais belas e isoladas do Brasil pelo jornal britânico The Guardian. Divulgação/Prefeitura de Ilhabela
Já Ilhabela é um arquipélago preservado, famoso por suas praias selvagens como a Castelhanos, acessível por trilhas ou barco. Wikimedia Commons/Daniel Souza Lima
Ubatuba e Ilhabela são dois dos destinos litorâneos mais procurados do estado de São Paulo, conhecidos por suas belezas naturais e atmosfera preservada wikimedia commons Heitor Carvalho Jorge

R$ 48 para entrar na ilha

A TPA é destinada ao financiamento de ações de conservação, manutenção e preservação ambiental. Para carros de passeio, utilitários e kombis, custa R$ 48.

Para outras categorias, os valores são:

  • Motocicletas: R$ 10

  • Carros de passeio, utilitários e kombis: R$ 48

  • Vans e caminhões: R$ 70

  • Micro-ônibus: R$ 100

  • Ônibus: R$ 140

A cobrança é feita pela identificação eletrônica da placa e não exige parada.

Veículos registrados em Ilhabela e São Sebastião são isentos, assim como veículos oficiais de órgãos públicos. Quem chega a pé ou de bicicleta também não paga.

E se o motorista esquecer?

É aí que uma cobrança relativamente pequena pode ficar mais cara.

Quem não utiliza pagamento automático tem até 30 dias para quitar a TPA. Depois desse prazo, é aplicada uma multa de R$ 100, além do valor original da taxa.

No caso de um carro de passeio, portanto, os R$ 48 podem se transformar em R$ 148.

O risco de esquecimento não é apenas teórico. Em maio, a Prefeitura de Ilhabela informou que 6.295 veículos estavam com a taxa pendente, entre 164.319 veículos identificados desde o início da operação.

Uma viagem, vários pagamentos

O cenário revela uma mudança na forma como o motorista precisa administrar os custos da viagem.

Antigamente, o pagamento de um pedágio era praticamente impossível de ignorar: havia uma praça, uma cabine e a necessidade de parar. Agora, parte das cobranças acontece de maneira invisível para quem está dirigindo.

O Free Flow é um pedágio rodoviário. A TPA, por sua vez, é uma taxa municipal. São cobranças diferentes e o pagamento de uma não elimina a outra.

Para Pedro Hermano, CEO do Pedágio Eletrônico, a digitalização exige que o motorista passe a acompanhar mais atentamente as cobranças associadas à placa.

“Quando existe uma cancela, o motorista sabe imediatamente que precisa realizar um pagamento. Em sistemas eletrônicos, essa etapa deixa de ser física e passa a acontecer no ambiente digital”, afirma.

Quanto colocar no orçamento?

Para calcular o custo real da viagem, o motorista deve considerar pelo menos cinco itens:

1. Combustível
É o custo mais variável e depende da distância, do preço do litro e do consumo do veículo.

2. Pedágios convencionais
O valor depende da rota escolhida e do ponto de partida.

3. Free Flow da Tamoios
É uma cobrança adicional para quem utiliza o trecho com sistema eletrônico.

4. TPA de Ilhabela
Para carros de passeio, são R$ 48 por entrada na ilha.

5. Travessia para a ilha
Também é preciso verificar o custo e as condições da travessia entre São Sebastião e Ilhabela, conforme o tipo de veículo e as regras vigentes.

Ou seja: o custo de chegar a Ilhabela começa muito antes da paisagem do litoral aparecer pela janela.

O preço invisível da praticidade

A digitalização dos pagamentos tem uma vantagem evidente: o motorista não precisa parar. Mas a comodidade também cria uma nova responsabilidade.

Em vez de pagar tudo durante o trajeto, parte da conta fica para depois da viagem. É preciso consultar débitos, identificar quais cobranças foram geradas e verificar os prazos de pagamento.

Para quem viaja com frequência, aplicativos e carteiras digitais podem ajudar a centralizar as cobranças. O Pedágio Eletrônico, por exemplo, permite cadastrar a placa e acompanhar pagamentos relacionados a sistemas integrados de cobrança eletrônica.

Mas a regra mais importante continua sendo simples: não presumir que, porque não houve uma cancela, não houve cobrança.

Antes de viajar, faça a conta

Ilhabela continua sendo um dos destinos mais desejados do litoral paulista, mas quem pretende chegar de carro precisa colocar mais itens na planilha.

A conta final é formada por combustível + pedágios + Free Flow + TPA + travessia, além de estacionamento, alimentação e hospedagem quando entram no orçamento da viagem.

E há um detalhe que pode pesar ainda mais: esquecer uma cobrança eletrônica.

No caso da TPA, deixar para depois dos 30 dias pode acrescentar R$ 100 de multa ao débito. Assim, antes de calcular apenas quantos quilômetros serão percorridos, talvez seja hora de perguntar: quanto custa, de fato, chegar a Ilhabela?

 

Pagamento também pode ser feito por aplicativos

Uma das alternativas para facilitar o gerenciamento da cobrança é o Pedágio Eletrônico, plataforma desenvolvida pela Movvia, empresa do Grupo Pumatronix. No caso de Ilhabela, a TPA pode ser gerenciada pela carteira digital da plataforma, que permite cadastrar a placa e manter saldo disponível para a quitação da taxa.

Para utilizar a funcionalidade, o motorista cria gratuitamente uma conta no Pedágio Eletrônico, cadastra o veículo e adiciona saldo à carteira digital, preferencialmente antes da viagem. Com saldo disponível, as cobranças da TPA vinculadas à placa ficam visíveis na conta e podem ser quitadas pela carteira, com confirmação do pagamento e envio de comprovante por e-mail.

O usuário também pode cadastrar mais de um veículo na mesma conta e utilizar um único saldo, além de receber lembretes sobre cobranças. A mesma plataforma reúne o gerenciamento de passagens de Free Flow nas rodovias das concessionárias integradas, como Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), Concessionária Novo Litoral (CNL) e Via Campo.

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“Um dos objetivos da carteira é justamente reduzir a necessidade de o motorista lembrar individualmente de cada cobrança depois de uma viagem. Em Ilhabela, ele pode deixar saldo disponível e acompanhar a TPA pela própria placa. Isso se torna especialmente útil para quem administra mais de um veículo ou também circula por rodovias com Free Flow”, explica Hermano.

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