Imagine-se numa floresta na qual os únicos sons sejam emitidos por pássaros, jacarés, cobras, galhos de árvores, enfim, pela natureza. A Costa Rica, cuja capital é San José, está localizada na parte sul da América Central, na fronteira do Panamá (sul) e da Nicarágua (norte), banhada pelo Oceano Pacífico e pelo Mar do Caribe. A capital San José e seu entorno tem cerca de 3 milhões de pessoas e a região é forte produtora de café, abacaxi e banana. 

País com 5 milhões de habitantes, se assemelha ao estado do Amazonas em população e apresenta uma localização estratégica, o que atrai visitantes de todo o mundo todo, curiosos por conhecer especialmente suas praias. 

San José é uma capital cosmopolita, centro político-financeiro do país, com prédios enormes e trânsito congestionado, mas também concentra uma arquitetura colonial, como o Teatro Nacional, fundado em 1897, em estilo neoclássico. Há hotéis modernos e tradicionais, como o Hotel Presidente e o Four Points by Sheraton, que ficam no Centro da cidade, com fácil localização e conforto para os hóspedes.

Mas para quem tem o espírito aventureiro e pretende conhecer uma Costa Rica com seus vulcões, cachoeiras e tradições culturais, vale a pena adentrar pelo Vale Central, em direção a esse paraíso que abriga nada menos que 6,5% da biodiversidade do planeta, embora ocupe apenas 0,03% da superfície da Terra. Em termos espaciais, é um país um pouco maior que o Espírito Santo, mas ao mesmo tempo, concentra meio milhão de espécies de plantas e animais. 

Essa é uma das riquezas do território. É muito comum você ver bichos-preguiça se esgueirando nas copas das árvores, microssapos com olhos vermelhos (rã de olhos vermelhos) nos jardins, jacarés, tucanos, iguanas, cobras e uma enorme diversidade de pássaros que fazem uma verdadeira sinfonia ao longo da travessia dos rios que existem na região.

A rã de olhos vermelhos é um dos í­cones da fauna da Costa Rica. Também chama a atenção por seu corpo verde-limão, patas laranjas e flancos azuis

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Experiência única

Na costa nordeste caribenha, a região do Parque Nacional Tortuguero é talvez uma das experiências mais peculiares da Costa Rica. O local, que fica na Província de Limón, é conhecido como a “Amazônia da América Central”, por abrigar uma infinidade de fauna e flora, além de concentrar um labirinto de canais de água doce. É lá também o principal berço de desova das tartarugas-marinhas no Hemisfério Ocidental.

Se você for apaixonado por tartarugas, reserve os meses de julho a outubro para planejar uma visita observacional à faixa de areia escura do parque, que, inclusive, é protegida. Este período é o pico da temporada de desova. Os passeios são sempre acompanhados por guias certificados para que os animais não sejam perturbados. 

O mesmo ocorre com os passeios observacionais de barco pelos canais de Tortuguero. Além da fauna diversa, há uma enormidade de espécies de árvores, plantas, arbustos, sementes e vegetação rasteira, que faz do local uma verdadeira floresta tropical. 

Em Tortuguero, há também um pequeno vilarejo que geralmente abriga a população nativa e artesãos que vendem seus produtos localmente. 

Uma das atrações aquáticas mais conhecidas de Arenal é o passeio de caiaque. Ao fundo, o vulcão Arenal

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Terra de vulcões

Localizada sobre o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, a Costa Rica abriga mais de 200 formações vulcânicas catalogadas, das quais cerca de uma dezena é considerada potencialmente ativa. A intensa atividade geológica do país é resultado do encontro entre as placas tectônicas de Cocos e do Caribe, fenômeno que moldou parte significativa da paisagem costarriquenha e transformou os vulcões em importantes atrações turísticas.

Entre os vulcões mais conhecidos está o Vulcão Poás, localizado a aproximadamente 50 quilômetros da capital San José, na província de Alajuela, e a 2.700 metros de altitude. Considerado um dos vulcões ativos mais acessíveis do mundo, o Poás tem uma cratera principal com mais de 1,5 quilômetro de diâmetro e um lago ácido que frequentemente chama a atenção de pesquisadores e visitantes. O vulcão registra episódios de atividade e emissões de gases, motivo pelo qual o acesso ao parque nacional é constantemente monitorado pelas autoridades.

Se você tiver sorte - e isso acontece com bastante frequência - consegue tirar fotos lindas da fumaça que sai do Poás. Até maio, a chance de o dia estar limpo é maior, o que faz com que o azul do céu se misture à camada de gases expelidos pelo vulcão, dando um tom bucólico à paisagem. 

O Lago Botos (ou Laguna Botos), que fica dentro do parque, tem uma coloração que varia entre azul-turquesa e verde-amarelada. Isso ocorre devido a um fenômeno óptico chamado dispersão da luz. Partículas coloidais de enxofre e outros minerais em suspensão na água ácida refletem o comprimento de onda azul, criando o tom vibrante.

Outro destaque é o Vulcão Arenal, considerado um dos principais símbolos naturais da Costa Rica. Localizado na Região Norte da Costa Rica, também em Alajuela, ele fica a cerca de 15 quilômetros da cidade de La Fortuna (principal base turística) e a aproximadamente 148 quilômetros a noroeste da capital, San José.

O vulcão integra o Parque Nacional do Vulcão Arenal. Com formato cônico quase perfeito e cerca de 1.670 metros de altitude, o Arenal ficou mundialmente famoso após a grande erupção de 1968, que alterou a vida das comunidades vizinhas. Embora atualmente esteja em uma fase de repouso relativo, continua sendo classificado como ativo. 

A região ao redor do vulcão atrai milhares de turistas todos os anos graças às trilhas ecológicas, por antigos campos de lava, fontes termais naturais e rica biodiversidade. A ponte suspensa de Sarapiquí, que fica na Reserva Biológica Tirimbina, em Heredia,  é um capítulo à parte. É a maior ponte suspensa do país, medindo 262 metros de comprimento e ficando a 22 metros de altura sobre o rio que leva o mesmo nome.

Além do Poás e do Arenal, outros vulcões ativos ou potencialmente ativos incluem o Vulcão Turrialba, o Vulcão Rincón de la Vieja e o Vulcão Irazú. Alguns deles apresentam emissões frequentes de gases, pequenas explosões ou atividade hidrotermal, sendo monitorados permanentemente por instituições científicas do país.

A maioria dos vulcões localizados dentro de parques nacionais pode ser visitada, desde que as condições de segurança permitam. Em períodos de aumento da atividade sísmica ou vulcânica, as autoridades podem restringir ou suspender temporariamente o acesso de turistas. Por isso, a recomendação é sempre verificar as informações oficiais antes da visita.

Os vulcões são parte fundamental da identidade da Costa Rica. Além de impulsionarem o turismo, contribuem para a fertilidade dos solos, a formação de ecossistemas únicos e o desenvolvimento de pesquisas científicas sobre fenômenos geológicos. A combinação entre beleza cênica, biodiversidade e atividade vulcânica faz do país um dos destinos mais fascinantes da América Central.

A Catarata La Fortuna é uma queda d’água de 70 metros, localizada a 10 minutos do Centro da, que também tem o nome de La Fortuna

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No Arenal, há também a Catarata La Fortuna, uma queda d’água de 70 metros, localizada a 10 minutos do Centro da cidade, que também tem o nome de La Fortuna. A viagem dura cerca de três a quatro horas, partindo de carro da capital San José, mas há outros meios de transporte, como vans ou ônibus.

Para chegar à “cachoeira”, os visitantes têm que descer (e depois subir) 530 degraus. Mas vale à pena. Além de ter alguns bancos de descanso para que as pessoas descansem durante a travessia, o resultado é uma paisagem maravilhosa.

A principal queda d’água deságua em pequenos lagos e piscinas naturais, em que as pessoas se refrescam, em meio aos peixes. 

Ecolodges: uma tendência

Eles são famosos por oferecerem uma experiência de imersão total na floresta tropical, onde o acesso só é possível por barco ou avião pequeno, já que não há estradas para a região. Chamados de ecolodges, os hotéis ao redor dos parques nacionais costarriquenhos são resorts ecológicos. 

Aninga, Pachira, Mawamba, Manoa Arenal, Evergreen e Laguna são alguns exemplos de lodges, quatro ou cinco estrelas, construídos em meio à floresta, próximo aos canais. São peças sustentáveis, com baixo impacto ambiental, compostos de passarelas de madeira suspensas, mosquiteiros e tetos vazados para que os visitantes possam ouvir os sons da floresta. 

Os pacotes incluem hospedagem, traslados de barco, caiaque, passeios guiados e refeições. A estrutura é totalmente integrada à natureza. Por isso, é comum, por volta das 5h, os hóspedes serem despertados ao som dos bugios, espécie de macaco conhecido pelo ronco ou uivo que ele emite. Alguns lodges oferecem serviços como atividades educativas, massagens terapêuticas e sessões de mergulho.

Os lodges na Costa Rica desempenham um papel crucial na experiência de ecoturismo dos visitantes de várias maneiras. Muitos deles estão situados em áreas remotas e preservadas, permitindo que os hóspedes estejam em contato direto com a natureza, como as florestas tropicais e os parques nacionais.

Sabores tropicais

Produção da bananas, uma das frutas mais produzidas no país e exportadas para o mundo inteiro

Ellen Cristie/EM/D.A Press

A culinária da Costa Rica é marcada pela valorização de ingredientes frescos, pela influência indígena, africana e espanhola e por uma forte ligação com a agricultura local. Assim como ocorre no Brasil, a alimentação cotidiana dos costarriquenhos tem como base alimentos simples e nutritivos, especialmente arroz, feijão, carnes, frutas e legumes. 

Uma das maiores semelhanças entre as duas gastronomias está justamente na combinação de arroz e feijão, presente diariamente na mesa da população. E o tempero também é bastante similar. Na Costa Rica, o prato mais famoso é o tradicional Gallo Pinto, preparado com arroz e feijão misturados e temperados com ervas e molhos locais. Geralmente servido no café da manhã, ele pode ser acompanhado de ovos, queijo, banana-da-terra frita e tortillas. Para falar a verdade, o Gallo Pinto é frequente nas três maiores refeições - café da manhã, almoço e jantar. A única diferença é que eles gostam bastante do feijão preto e marrom mais escuro, ao invés do nosso “carioquinha”, mais claro.

Na Costa Rica, o arroz com feijão é chamado de Gallo Pinto. Figurinha repetida no café da manhã, almoço e jantar, é um dos pratos preferidos dos costarriquenhos

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Outro destaque são os patacones, feitos com banana-da-terra verde amassada e frita. Crocantes por fora e macios por dentro, são consumidos como acompanhamento ou aperitivo, lembrando a popularidade da mandioca frita e da banana frita em várias regiões brasileiras.

Os chamados frijoles (feijões, em espanhol) também ocupam papel central na alimentação. Os feijões fazem parte de diversas preparações servidas ao longo do dia, reforçando a importância desse alimento na cultura local.

Entre os pratos típicos mais consumidos estão o casado, refeição completa composta por arroz, feijão, carne, salada, legumes e banana-da-terra; a olla de carne, uma sopa preparada com carne bovina e vegetais; e o ceviche costarriquenho, feito com peixe fresco marinado em limão e temperos.

A abundância de frutas tropicais também chama a atenção. Manga, banana, mamão, abacaxi, maracujá e coco são amplamente utilizados em sucos naturais, sobremesas e receitas tradicionais, refletindo a riqueza agrícola do país.

Mais do que uma simples forma de alimentação, assim como no Brasil, a gastronomia costarriquenha representa um importante elemento cultural. As refeições são momentos de convivência familiar e valorização das tradições regionais. Com sabores suaves, ingredientes frescos e receitas transmitidas entre gerações, a culinária da Costa Rica revela a identidade de um país que encontrou na simplicidade um de seus maiores patrimônios gastronômicos.

Tradições culturais

Mais do que expressão estética, a arte costarriquenha representa a história, os costumes e os valores de um povo que soube transformar suas tradições em patrimônio cultural reconhecido dentro e fora do país. Entre as manifestações artísticas mais emblemáticas está o artesanato produzido na cidade de Sarchí, na província de Alajuela, no Vale Central, considerada a capital nacional do artesanato costarriquenho.

A fama de Sarchí começou no século 19, quando artesãos locais passaram a fabricar carroças de boi utilizadas no transporte de café, principal produto de exportação do país na época. Com o passar dos anos, essas carretas deixaram de ser apenas instrumentos de trabalho e se transformaram em verdadeiras obras de arte. Pintadas à mão com cores vibrantes, formas geométricas e desenhos florais, elas se tornaram um dos maiores símbolos culturais da Costa Rica.

A tradicional pintura de Sarchí é reconhecida internacionalmente por sua riqueza de detalhes e pela combinação harmoniosa de cores. Os padrões decorativos, transmitidos de geração em geração, refletem influências indígenas, espanholas e rurais, formando uma identidade visual única. Atualmente, além das carretas, a técnica é aplicada em móveis, máscaras, peças decorativas e lembranças comercializadas para turistas de todo o mundo.

Identidade nacional

A valorização dessa tradição depende, em grande parte, do trabalho desenvolvido por nativos, nas escolas e centros de formação artística espalhados pelo país. Entre elas destaca-se a Escola de Artesanías e Fábrica de Carretas Eloy Alfaro, criada com o objetivo de preservar técnicas artesanais tradicionais e formar novas gerações de artistas e artesãos. A instituição nasceu da necessidade de evitar o desaparecimento de conhecimentos transmitidos oralmente por mestres artesãos ao longo de décadas.

Uma carroça maior chega a custar US$ 4 mil e serve como uma importante obra de arte local, de valor inestimável, pelo trabalho feito à mão, altamente valorizado

Ellen Cristie/EM/D.A Press

Cada carroça - no caso, a maior delas - chega a custar US$ 4 mil e serve como uma importante obra de arte local, de valor inestimável, pelo trabalho feito à mão, altamente valorizado.

Nessas escolas, os estudantes aprendem desde técnicas básicas de desenho e pintura até conhecimentos sobre história da arte, design, escultura, marcenaria e produção artesanal. A formação combina teoria e prática, permitindo que os alunos desenvolvam habilidades técnicas ao mesmo tempo em que compreendem o valor cultural de seu trabalho.

O processo de preparação de um artista ou artesão costuma ser longo. Muitos iniciam os estudos ainda jovens, participando de oficinas comunitárias e projetos culturais. Com o aperfeiçoamento das técnicas e a experiência adquirida ao lado de profissionais mais experientes, tornam-se capazes de produzir obras próprias e atuar no mercado local, seja em ateliês, cooperativas ou negócios familiares.

Na Escuela Pintura Típica Sarchí, em Alajuela, seu William Valverde conduz as aulas de pintura no quintal da própria casa. Alejandra, sua filha, também ensina, geração a geração, a cultura de Sarchí. “É uma forma de preservar o trabalho desenvolvido em nossa comunidade, sua tradição e valores artísticos”, explica a artista.

Seu Willian Valverde ensina a arte típica de Sarchí, uma cidadezinha charmosa, localizada no Vale Central da Costa Rica

Ellen Cristie/EM/D.A Press

Seu Willian é muito bem-humorado e combina sua arte e piadas divertidas, que transforam suas aulas numa brincadeira. 

Ao investir na formação artística e na preservação do artesanato tradicional local, a Costa Rica fortalece sua economia criativa e mantém viva uma herança cultural que atravessa gerações. O exemplo de Sarchí e das escolas de artesanía demonstram como a arte pode ser uma poderosa ferramenta de educação, desenvolvimento econômico e valorização da identidade nacional.

Projeção internacional

O turismo é uma das principais atividades econômicas da Costa Rica e grande parte desse sucesso está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pelo Instituto Costarricense de Turismo (ICT). Criado em 1955, o órgão é responsável por planejar, organizar, promover e fiscalizar as políticas públicas voltadas para o setor turístico, considerado estratégico para o crescimento econômico e social do país.

Ao longo das últimas décadas, o ICT desempenhou papel decisivo na transformação da Costa Rica em uma das principais referências mundiais em ecoturismo e turismo sustentável. Por meio de campanhas de promoção internacional, o instituto ajudou a consolidar a imagem do país como destino voltado para a preservação ambiental, a biodiversidade e a qualidade de vida.

Entre as principais atribuições do ICT está a divulgação da Costa Rica nos mercados internacionais. O órgão participa de feiras de turismo, promove campanhas publicitárias e estabelece parcerias com empresas do setor para atrair visitantes de diferentes partes do mundo. 

O órgão também atua na qualificação da mão de obra ligada ao turismo. Em parceria com instituições educacionais e entidades privadas, promove cursos, treinamentos e programas de capacitação para profissionais que atuam em hotéis, restaurantes, agências de viagens e atividades de ecoturismo.

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Serviço


Instituto Costarricense de Turismo (ICT)

https://www.ict.go.cr/es/

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