Marcos Uchôa transforma 40 anos de cobertura internacional em podcast
Programa reúne experiência em guerras e grandes eventos para explicar como o Brasil se relaciona com o mundo em uma série de 10 episódios
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A experiência acumulada ao longo de mais de quatro décadas de jornalismo internacional é o ponto de partida de uma nova série de podcast lançada pela Rádio Tupi. Apresentado por Marcos Uchôa, o projeto propõe uma leitura do mundo a partir de vivências em campo, conectando episódios históricos, cultura e política para discutir o papel do Brasil no cenário global.
Ao longo da carreira, Uchôa percorreu mais de uma centena de países e acompanhou de perto acontecimentos que marcaram diferentes gerações, de guerras e crises políticas a grandes eventos esportivos. No podcast, essa trajetória é reorganizada em forma de narrativa, com espaço para aprofundamento e reflexão.
“O espaço de um podcast é um espaço pessoal, que eu não tinha como repórter. [...] É um espaço muito maior para você contar histórias”, afirma.
Segundo o jornalista, a proposta vai além de revisitar histórias: trata-se de construir uma compreensão mais ampla de cada país a partir de múltiplas dimensões. “Talvez o meu interesse maior no podcast seja juntar elementos diferentes da história, da cultura e da atualidade de cada país”, explica. A ideia, completa, é montar uma espécie de panorama acessível ao público. “Como se fosse um quebra-cabeça, que você vai montando várias pecinhas que se juntam”, diz.
Dez episódios para compreender o mundo
A série é estruturada em dez episódios, cada um dedicado a um país ou região: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Itália, China, França, Irã, Alemanha, Japão, Rússia e Líbano/Síria.
O fio condutor é sempre o mesmo: entender como o Brasil se relaciona com essas nações, seja no campo político, econômico ou cultural. A escolha dos temas dialoga diretamente com a trajetória do jornalista, que visitou muitos desses países em diferentes momentos históricos.
Ao refletir sobre essas conexões, Uchôa destaca o peso da influência externa na formação da identidade brasileira, especialmente no caso dos Estados Unidos.
Essa proximidade, segundo ele, não é casual. “A gente se apega por um lado de proximidade, já que estamos nas Américas e fomos bebendo dessa fonte muito forte, cultural, econômica e política”, explica.
Ao mesmo tempo, o jornalista pondera que essa relação exige reflexão crítica. Ele aponta que parte da sociedade brasileira tende a reproduzir referências externas sem questionamento, o que pode dificultar a valorização de características próprias. “A nossa mídia é muito vira-lata”, afirma, ao criticar a forma como o país, muitas vezes, se posiciona diante de modelos estrangeiros.
Para ele, reconhecer qualidades internas é um passo importante nesse processo. “A gente tem que repensar como queremos ter um Brasil mais brasileiro. Quais são as nossas vantagens, quais são as coisas que a gente faz bem”, completa.
Brasil visto a partir do mundo
A vivência internacional também levou Uchôa a questionar percepções comuns entre brasileiros sobre o exterior. De acordo com ele, há uma tendência de enxergar outros países como modelos superiores, sem considerar diferenças culturais e sociais.
“O brasileiro se sente muito pequeno em relação ao mundo. E acha que tudo lá fora é melhor do que no Brasil”, observa.
A experiência prática, no entanto, mostra um quadro mais complexo. Em muitas sociedades, aspectos ligados à convivência e à vida social têm dinâmicas distintas das brasileiras, o que impacta diretamente a percepção de bem-estar.
Ao explicar essa diferença, o jornalista recorre a exemplos do cotidiano. “Mesmo você sendo pobre no Brasil, você consegue ser feliz em 20% da sua vida. Através do futebol, da música, dos amigos, através do churrasquinho.” Ele complementa que esses espaços de convivência funcionam como pontos de equilíbrio mesmo em contextos de dificuldade. “Você consegue, de alguma forma, ter um oásis de felicidade de uma maneira que você não vê lá fora”, diz.
A leitura, segundo ele, não ignora problemas estruturais do país, mas chama atenção para elementos culturais que nem sempre entram na comparação com o exterior.
Entre guerras e grandes eventos
A base das análises apresentadas no podcast está diretamente ligada à trajetória de Uchôa como repórter. Ao longo da carreira, ele cobriu ao menos nove conflitos e crises internacionais, incluindo a Guerra do Iraque, a Guerra do Afeganistão e a guerra civil na Síria.
Além disso, esteve presente em 11 Olimpíadas e 8 Copas do Mundo, o que amplia sua visão sobre o papel do esporte como elemento cultural e político no cenário internacional.
Essa combinação de experiências contribui para uma leitura crítica do momento atual que para o jornalista, há sinais de deterioração no ambiente global, especialmente no campo político da internet: “As redes sociais hoje estão impulsionando essaagressividade. O algoritmoprefere a agressividade nas argumentações.”
Na avaliação dele, esse cenário se soma a outros desafios contemporâneos, como as questões ambientais e o avanço da extrema direita criando um contexto internacional mais instável.
Estreia em breve
O podcast da Rádio Tupi já está disponível no YouTube da emissora e nas principais plataformas de áudio.
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A série reúne relatos e análises que buscam traduzir a complexidade do mundo contemporâneo a partir da experiência de quem acompanhou, de perto, parte significativa dos acontecimentos que marcaram as últimas décadas.