Caos em Guarapari: mineiros enfrentam alagamentos e barreiras sanitárias
A Praia do Morro, uma das mais populares e queridinha dos turistas de Minas, tem sido palco de inundações frequentes devido às chuvas e falta de drenagem
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Guarapari, o paraíso litorâneo capixaba que atrai milhares de turistas de Minas Gerais todos os anos, especialmente na alta temporada, está se tornando sinônimo de desafios para os visitantes. Conhecida como o "litoral mineiro" pela invasão anual de excursionistas de Belo Horizonte e outras cidades do interior, a região promete sol, mar e descanso, mas entrega uma série de perrengues que vão de inundações repentinas a restrições sanitárias e taxas impostas pela prefeitura. Com base em relatos nas redes sociais e informações oficiais, reunimos os principais obstáculos que os mineiros podem enfrentar ao planejar uma viagem para lá.
A Praia do Morro, uma das mais populares de Guarapari e queridinha dos mineiros, tem sido palco de alagamentos frequentes devido às chuvas intensas que atingem o Espírito Santo no verão. Vídeos compartilhados no X (antigo Twitter) mostram ruas inundadas, com água invadindo calçadas e complicando o trânsito de pedestres e veículos.
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Falta de drenagem e chuva forte
O vídeo, postado no Instagram do @bruno_moto_vlog_guarapari, registra cenas dramáticas de alagamento na Praia do Morro, em Guarapari (ES), ocorrido na tarde de terça-feita (20/1).
Devido à chuva intensa que atingiu a região, ruas e trechos da orla, como a Avenida Beira Mar e arredores, se transformaram em verdadeiros rios, com água acumulada em alto volume invadindo calçadas, vias e praças próximas (como a Praça da Paz, que chegou a parecer um "rio" em registros semelhantes da mesma data).
No Reels, aparecem carros tentando atravessar as áreas inundadas, com a água alcançando níveis críticos — quase na altura das portas em vários pontos —, além de pedestres enfrentando dificuldades e motoristas lidando com transtornos no trânsito. O autor do vídeo demonstra frustração e desespero, destacando o "prejuízo puro" causado pela enchente repentina.
Esse episódio se soma a outras ocorrências de alagamentos na cidade naquele dia, afetando bairros como o Centro e principalmente a Praia do Morro, gerando caos e prejuízos materiais no município litorâneo capixaba.
Mar agitado
As reclamações nas redes sociais não param por aí. Turistas relatam que o mar agitado invade as ruas, como em um vídeo de 2019 que ressurgiu em discussões atuais, mostrando ondas nervosas em Meaípe, próximo a Guarapari. "Nunca vi isso acontecer. O mar está bem nervoso", comentou um jornalista local na época, mas o problema se repete. Um usuário do X descreveu uma onda de 4 metros que quase causou acidentes: "Tive que correr pq do nada uma onda de uns 4 metros arrebentou bem na areia, foi uma correria danada". Outros criticam a erosão da praia, com a areia desnivelada e prestes a desmoronar: "Olhem a situação da praia: toda corroída pela maré. Vejam como está tudo desnivelado e perto de desmoronar".
Moradores e visitantes também denunciam a poluição, com água escura e mau cheiro suspeitos de contaminação por esgoto após obras de macrodrenagem. "Moradores reclamam de água escura e com mau cheiro em praia de Guarapari", publicou o portal A Gazeta ES, citando investigações da prefeitura. Uma turista mineira relatou: "De longe já se ver a cor da água, quando fui peguei uma micose e logo depois saiu no jornal que o local estava contaminado de larvas". Em um alerta viral, um turista de Minas pediu ajuda nas redes: "Não venham para Guarapari/ES, pois a água está contaminada e muita gente passando mal, estão lotando a UPA da Cidade".
Falta de infraestrutura: superlotação e viroses em alta
A invasão de mineiros agrava os problemas de infraestrutura. "Os mineiros invadiram Guarapari mais uma vez", brinca um post no Instagram, mas a realidade é dura: praias lotadas, trânsito caótico e falta de água potável. Um grupo de turistas de Sete Lagoas relatou um "perrengue histórico": a cidade ficou sem água, forçando-os a improvisar banhos com criatividade e coragem. "Tá faltando água em Guarapari, não tem estrutura para receber os mineiros", reclamou um usuário no X.
A superlotação leva a outros incômodos, como preços altos, filas em mercados e padarias, e viroses soltas. "Qualquer pessoa sabe que as praias ficam abarrotadas nessa época, com sérios problemas de infra-estrutura, trânsito, filas no mercado, padaria, virose comendo solta, trânsito parado, praia poluída e preços altos", desabafou um internauta. Barraqueiros agressivos são outra queixa comum: "Os barraqueiros acabam com seu dinheiro, sua alegria, suas férias. Ameaçam, coagem, te xingam, exploram e não te deixam respirar".
Barreiras sanitárias para ônibus de turismo: o que está proibido?
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Para organizar o fluxo e evitar improvisações, a Prefeitura de Guarapari implantou o Projeto Ruas Livres, com três barreiras sanitárias em operação desde 14 de janeiro de 2026: em Porto Grande, Village do Sol e na entrada da BR-101. Ônibus, micro-ônibus e vans de excursão – comuns entre os mineiros – devem parar obrigatoriamente para fiscalização. A medida, em vigor desde novembro de 2025, mas intensificada agora, proíbe a entrada de itens incompatíveis com o turismo, visando impedir cozinhas improvisadas em imóveis alugados.
Entre os proibidos estão: fogões, botijões de gás, geladeiras, freezers, ar-condicionados, itens inflamáveis, mantimentos em grandes volumes, alimentos (incluindo frango vivo), utensílios domésticos e equipamentos de risco à segurança. Itens não autorizados serão retidos e descartados a partir da última semana de janeiro. Há exceções para ventiladores e materiais seguros não fornecidos na hospedagem. Importante: não há taxa para turistas individuais, apenas para os veículos de turismo. "Houve uma medida da prefeitura proibindo o mineiro de levar galinha viva e churrasqueira em ônibus, além de cobrar uma taxa extra para mineiros", resumiu um reclamante no X.
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Apesar dos perrengues, Guarapari continua atraindo cerca de 700 mil turistas na virada do ano, muitos deles mineiros. Mas os relatos nas redes sugerem cautela: verifique o clima, a qualidade da água e as regras antes de embarcar. Para quem insiste, o conselho é claro: prepare-se para improvisar – ou opte por destinos menos lotados.