O que é a OMS e qual o seu verdadeiro poder em uma crise de saúde
Entenda como a Organização Mundial de Saúde funciona, de onde vem seu financiamento e qual a sua capacidade de impor regras aos países membros
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) atua como a principal autoridade em saúde pública no cenário internacional, sendo a agência especializada das Nações Unidas (ONU) para o tema. Fundada em 1948 e sediada em Genebra, na Suíça, a organização completa em 2026 mais de 78 anos de atuação com a missão de coordenar ações globais para combater doenças, promover o bem-estar e garantir que todas as pessoas tenham acesso a serviços de saúde essenciais.
Sua estrutura é composta por 193 países-membros, que se reúnem anualmente na Assembleia Mundial da Saúde para definir políticas, aprovar o orçamento e nomear o diretor-geral. A organização opera por meio de uma rede de escritórios regionais e nacionais, o que permite adaptar suas estratégias às realidades locais e responder de forma mais ágil a emergências sanitárias em diferentes partes do globo.
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De onde vem o dinheiro?
O financiamento da OMS é um ponto central para entender sua atuação e sua independência. O orçamento da entidade provém de duas fontes principais: as contribuições fixas dos países-membros, calculadas com base na riqueza e população de cada nação, e as doações voluntárias. Este segundo grupo representa a maior parte dos recursos e vem de governos, fundações e outras organizações internacionais.
Essa dependência de doações voluntárias pode direcionar o foco da organização para áreas de interesse de seus maiores financiadores. Embora as contribuições fixas garantam uma base orçamentária estável, os projetos de maior escala e as respostas a crises frequentemente dependem desses aportes adicionais para serem viabilizados.
Em 2026, a OMS enfrenta uma crise financeira significativa com a saída formal dos Estados Unidos, que historicamente contribuía com cerca de 18% do orçamento total da organização. A retirada, notificada em janeiro de 2025 pelo presidente Donald Trump, resultou em cortes orçamentários expressivos e reduziu a equipe da organização, evidenciando a vulnerabilidade da OMS em relação aos seus maiores financiadores.
Qual o verdadeiro poder da OMS?
Diferente do que muitos imaginam, a OMS não tem poder para impor leis ou sanções aos países. Sua força reside na capacidade de estabelecer diretrizes, fornecer recomendações técnicas baseadas em evidências científicas e coordenar respostas internacionais. O poder da organização é, essencialmente, de influência e persuasão.
Em uma crise, seu papel mais visível é a declaração de uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). Esse alerta funciona como um alarme global, mobilizando recursos e atenção política para o problema. No entanto, a decisão de seguir ou não as recomendações da OMS, como restrições de viagem ou estratégias de vacinação, permanece sob a soberania de cada país. A adesão depende da confiança na autoridade técnica da organização e dos acordos diplomáticos entre as nações. A dependência de contribuições voluntárias e a recente saída de grandes financiadores demonstram como o poder real da OMS está intrinsecamente ligado ao apoio político e financeiro que recebe, reforçando seu caráter de organismo dependente da cooperação internacional voluntária.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.