O Brasil pode ter um terremoto devastador? Entenda a nossa geologia
Embora pequenos tremores sejam comuns, o país está em uma posição privilegiada no mapa sísmico mundial; veja a explicação de não termos grandes abalos
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Notícias sobre terremotos devastadores ao redor do mundo frequentemente levantam a mesma dúvida entre os brasileiros: nosso país pode ser atingido por um abalo sísmico de grandes proporções? A resposta direta, baseada em décadas de estudos geológicos, é não. A razão para essa segurança está na nossa localização geográfica privilegiada.
O Brasil está situado bem no centro da Placa Sul-Americana, a milhares de quilômetros de distância de suas bordas. Os grandes terremotos, com potencial de destruição, ocorrem justamente nessas zonas de contato entre as placas tectônicas, onde a fricção e a colisão liberam uma quantidade imensa de energia. É o que acontece em países como Chile e Japão, localizados no chamado Círculo de Fogo do Pacífico.
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Nossa posição central nos coloca em uma área considerada intraplaca, ou seja, dentro da placa. É como estar no meio de uma jangada gigante e estável, enquanto toda a agitação acontece nas extremidades. A Cordilheira dos Andes, por exemplo, é o resultado direto do choque entre a Placa de Nazca e a Sul-Americana, um processo que gera abalos sísmicos constantes na costa oeste do continente.
Então, por que o Brasil registra tremores?
Apesar da estabilidade, o território brasileiro não é totalmente inerte. Os tremores de terra que sentimos por aqui são de baixa magnitude e têm duas causas principais. A primeira é o reflexo das pressões geradas nas bordas da placa. Essa força viaja pela crosta terrestre e pode reativar antigas falhas geológicas que cortam nosso território.
Essas falhas são como cicatrizes na rocha, zonas de fraqueza que podem se movimentar e liberar energia acumulada, causando pequenos tremores. O maior terremoto já registrado instrumentalmente no Brasil ocorreu em 1955, na Serra do Tombador, no Mato Grosso, com magnitude de 6,2 na escala Richter. Embora significativo, ele aconteceu em uma área pouco habitada e não causou danos.
A segunda causa para os tremores é o desgaste natural do solo e das rochas, um processo de acomodação que pode gerar abalos muito localizados e de baixíssima intensidade, muitas vezes imperceptíveis para a maior parte da população.
Quais são as áreas de maior atividade?
No Brasil, a atividade sísmica não se distribui de maneira uniforme. Algumas regiões são historicamente mais propensas a esses pequenos abalos. A principal delas é a região Nordeste, especialmente nos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, devido à presença de um sistema de falhas geológicas ativas. Outras áreas com registros frequentes incluem o norte de Minas Gerais e partes da região Centro-Oeste, incluindo o próprio estado do Mato Grosso, que continua a registrar atividade sísmica. No entanto, é fundamental reforçar que esses eventos não têm o potencial destrutivo dos terremotos que ocorrem nas bordas de placas. A geologia brasileira, portanto, oferece um cenário de segurança em relação a grandes desastres sísmicos, e os tremores locais servem mais como um lembrete da dinâmica do planeta.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.