O mistério do lago na Tanzânia que 'transforma' animais em pedra
O fenômeno do Lago Natron, que calcifica os animais, é real; a ciência explica como as águas alcalinas da Tanzânia causam o efeito assustador
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No norte da Tanzânia, próximo à fronteira com o Quênia, existe um lugar que parece saído de um conto de terror: o Lago Natron. Suas águas avermelhadas guardam um segredo sombrio, transformando animais que morrem em suas margens em estátuas de sal, perfeitamente preservadas em um processo de calcificação.
As imagens de aves e morcegos petrificados são impressionantes e já circularam o mundo, mas o fenômeno não tem nada de sobrenatural. A explicação está na química única do lago, que o torna um dos corpos d'água mais alcalinos e salgados do planeta.
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Alimentado por fontes termais e pelo rio Southern Ewaso Ng'iro, o Lago Natron tem um pH que pode chegar a 10.5, quase tão cáustico quanto a amônia. A água é rica em um composto químico chamado natrão, uma mistura de carbonato de sódio e bicarbonato de sódio, que dá nome ao local e cujas concentrações são influenciadas pela atividade do vulcão Ol Doinyo Lengai nas proximidades. Além disso, as temperaturas da água podem ultrapassar 40°C, tornando o ambiente ainda mais hostil.
Como ocorre a petrificação?
O carbonato de sódio, que já foi utilizado pelos antigos egípcios no processo de mumificação, atua como um conservante natural. Quando um animal morre e cai nas águas do lago, os minerais começam a se acumular em seu corpo, endurecendo os tecidos antes que possam se decompor.
O resultado é uma carcaça calcificada (revestida por sais de carbonato de sódio) que mantém a forma do animal. É importante notar que os animais não viram pedra instantaneamente ao tocar a água. Muitos cientistas acreditam que os reflexos na superfície do lago confundem aves e morcegos, os fazendo colidir com a água, de forma similar a pássaros que batem em janelas de vidro. O processo de preservação ocorre post-mortem.
Apesar de seu aspecto inóspito e perigoso, o Lago Natron é um ecossistema pulsante. Suas águas são o principal local de reprodução para milhões de flamingos-menores (Phoeniconaias minor), que constroem seus ninhos em ilhas de sal formadas durante a estação seca. As aves desenvolveram adaptações, como uma pele resistente nas patas, para sobreviver ao ambiente corrosivo.
A coloração vermelha intensa do lago, especialmente durante a estação seca, não vem de sangue, mas de microrganismos que prosperam em condições de alta salinidade. Essa paisagem única, que equilibra vida e morte de forma tão extrema, continua a fascinar cientistas e fotógrafos de todo o mundo.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.