Se você se assustou com o preço das passagens aéreas nos últimos meses, saiba que o principal motivo tem nome e sobrenome: querosene de aviação (QAV). O combustível representa a maior fatia dos custos operacionais de uma companhia aérea, chegando a consumir cerca de 45% de todo o orçamento da empresa após reajustes recentes.
Por isso, qualquer variação no valor do QAV é sentida quase que imediatamente no bolso do consumidor. Quando o custo para abastecer as aeronaves sobe, as empresas precisam repassar essa alta para o preço final dos bilhetes para manterem suas operações financeiramente viáveis.
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O mercado de aviação funciona com margens de lucro relativamente apertadas. Isso significa que absorver um aumento tão significativo no seu principal insumo é praticamente impossível sem comprometer a saúde financeira da companhia. O resultado é o que vemos no momento: tarifas mais altas para voos domésticos e internacionais.
O cenário de abril de 2026 evidencia essa pressão. Após reajustes de 9,4% em março e um aumento histórico de 54,6% em abril, o setor aéreo enfrenta um momento crítico. Companhias como a Azul já elevaram suas tarifas em mais de 20% e especialistas do setor preveem que a alta média nas passagens pode chegar a 20% nos próximos meses para compensar os custos.
Como o preço do QAV é definido?
A composição do preço final do querosene é complexa e sensível a diversos fatores. A volatilidade é sua principal característica, já que o valor pode mudar diariamente. Três elementos principais explicam as oscilações que impactam diretamente a sua viagem.
Cotação do petróleo: o valor do QAV está diretamente ligado ao preço do barril de petróleo, que em abril de 2026 gira em torno de US$ 101. Eventos geopolíticos têm impacto direto, como a guerra no Irã, iniciada em fevereiro de 2026, que pressiona as cotações globais, ou decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Variação do dólar: como o petróleo é negociado em dólar, a desvalorização do real frente à moeda norte-americana encarece o combustível comprado pelas empresas brasileiras. Mesmo que o preço do barril se mantenha estável, um dólar mais alto já é suficiente para aumentar o custo.
Tributos e logística: no Brasil, a carga tributária é um fator decisivo. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incide sobre o QAV, com alíquotas que variam em cada estado. Recentemente, em um esforço para aliviar a pressão sobre o setor, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível através de um decreto publicado em 8 de abril de 2026, com validade até 31 de maio de 2026.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
