Armas no Brasil: a mudança na lei que pegou muitos de surpresa
Dos anos 90 aos dias atuais, relembre as principais mudanças na legislação sobre posse e porte de armas e os debates que marcaram cada período
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O debate sobre o controle de armas no Brasil é um tema que atravessa décadas, marcado por leis que se tornaram mais rígidas e, em outros momentos, flexibilizadas. As regras para posse e porte de armas de fogo por civis mudaram diversas vezes, refletindo diferentes visões políticas e pressões sociais. Entender essa linha do tempo ajuda a contextualizar as discussões atuais.
Até o final dos anos 90, a legislação era mais dispersa. O marco inicial de uma regulamentação nacional mais clara veio em 1997, com uma lei que estabeleceu o Sistema Nacional de Armas (Sinarm). A norma já previa critérios para a aquisição, como a necessidade de comprovar idoneidade e ocupação lícita, mas ainda era considerada permissiva em comparação com o que viria a seguir.
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O Estatuto do Desarmamento e o referendo
A grande virada ocorreu em dezembro de 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. A lei tornou as regras para o acesso a armas muito mais rigorosas. A posse foi condicionada à comprovação de "efetiva necessidade", um critério subjetivo que dificultou a autorização para civis. O porte, que é o direito de andar armado fora de casa ou do trabalho, tornou-se praticamente proibido, salvo para categorias profissionais específicas.
Dois anos depois, em 2005, a população brasileira foi às urnas em um referendo para decidir sobre a proibição total da comercialização de armas de fogo e munições no país. Com 63,94% dos votos, a maioria rejeitou a proposta, mantendo o direito do cidadão de comprar armas, desde que seguisse as regras do Estatuto.
A flexibilização para CACs
A partir de 2019, uma série de decretos presidenciais alterou significativamente a política de armas. As novas regras facilitaram o acesso, principalmente para a categoria de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs). As mudanças ampliaram o número de armas e munições que poderiam ser adquiridas, além de liberarem o uso de calibres que antes eram restritos às forças de segurança.
Esse período foi marcado por um aumento expressivo no número de registros de armas de fogo no país, especialmente na categoria de CACs. O conceito de "efetiva necessidade" para a posse também foi flexibilizado, permitindo que mais pessoas conseguissem a autorização.
As regras atuais
Em 2023, o governo federal reverteu grande parte das flexibilizações. Um decreto editado no início do ano retomou as regras mais rígidas, reduzindo novamente os limites de armas e munições para civis e para os CACs. Calibres que haviam sido liberados, como o 9mm, voltaram a ser de uso restrito.
As novas medidas também determinaram um recadastramento de todas as armas adquiridas a partir de 2019. A fiscalização dos CACs, que antes era de responsabilidade do Exército, também passou para a competência da Polícia Federal, centralizando o controle de armas de fogo de uso civil.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.