‘De-aging’: a tecnologia que rejuvenesce atores em filmes e séries
O uso de efeitos visuais para rejuvenescer ou até ‘reviver’ um ator em cena é cada vez mais comum; entenda como a tecnologia funciona
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A imagem de um ator famoso décadas mais jovem em um filme recente não é mais uma surpresa, mas o resultado de uma tecnologia cada vez mais comum em Hollywood: o de-aging. Esse recurso de efeitos visuais permite rejuvenescer digitalmente um intérprete em cena, como visto com Harrison Ford em “Indiana Jones e o Chamado do Destino” (2023) e Robert De Niro em “O Irlandês” (2019).
O processo é complexo e combina a atuação real com um trabalho minucioso de computação gráfica. Primeiro, o ator grava suas cenas normalmente, muitas vezes usando marcadores no rosto para capturar cada expressão facial. Esses dados são transferidos para um computador, onde artistas digitais entram em ação.
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Com base em fotos e filmes antigos do mesmo ator, uma versão tridimensional e mais jovem de seu rosto é criada. Esse modelo digital é então sobreposto à performance original, quadro a quadro. A iluminação, as sombras e os movimentos precisam ser perfeitamente sincronizados para que o resultado seja convincente.
Recentemente, a inteligência artificial tem acelerado e aprimorado essa técnica. Algoritmos de aprendizado de máquina analisam milhares de imagens do ator em diferentes idades e aprendem a aplicar o rejuvenescimento de forma mais realista e automatizada, reduzindo o tempo de produção.
Além de rejuvenescer
A mesma base tecnológica também permite a chamada “ressurreição digital”, recriando atores já falecidos para participações póstumas. Um dos casos mais conhecidos é o do ator Peter Cushing, que interpretou o personagem Grand Moff Tarkin em “Rogue One: Uma História Star Wars” (2016), lançado 22 anos após sua morte.
Essa prática, no entanto, levanta debates éticos complexos. No caso de artistas já falecidos, as discussões envolvem o uso da imagem sem consentimento direto, questões de direitos autorais e o respeito à memória. Para os atores vivos, o debate se estende à autenticidade da performance e à criação de um "duplo digital" que poderia ser usado no futuro, potencialmente sem o controle total do intérprete original.
Exemplos famosos no cinema
A tecnologia já marcou presença em diversas produções de grande sucesso. Confira algumas das mais conhecidas:
“Capitã Marvel” (2019): Samuel L. Jackson foi rejuvenescido para interpretar uma versão de Nick Fury nos anos 1990.
“Projeto Gemini” (2019): Will Smith atua contra um clone seu totalmente digital e mais jovem.
“Vingadores: Ultimato” (2019): Michael Douglas aparece como um Hank Pym mais novo em cenas de flashback.
“X-Men: O Confronto Final” (2006): Patrick Stewart e Ian McKellen foram rejuvenescidos para a cena de abertura do filme.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.