A história do Benjamim Guimarães, um dos últimos vapores a lenha do mundo
Construído nos EUA em 1913, o 'gaiola' navegou pelo Mississipi e Amazônia antes de se tornar patrimônio no Rio São Francisco
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O apito de um dos últimos vapores a lenha em operação no mundo voltou a ecoar pelas águas do Rio São Francisco. A histórica embarcação Benjamim Guimarães, atracada em Pirapora, no norte de Minas Gerais, foi reinaugurada em 1º de junho de 2025, após um longo e minucioso processo de restauração. A conclusão do projeto marca o renascimento de um verdadeiro patrimônio nacional e já movimenta o turismo na região.
Com mais de um século de história, a trajetória do Benjamim Guimarães começou longe do Brasil. O navio foi construído em 1913 nos Estados Unidos, pelo estaleiro James Rees & Sons, para navegar no Rio Mississipi. Posteriormente, foi transferido para rios da Bacia Amazônica e, em 1920, chegou ao Rio São Francisco, onde se tornou parte essencial da vida das comunidades ribeirinhas.
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Apelidado carinhosamente de "gaiola", o vapor ganhou este nome devido à sua estrutura, com camarotes de madeira que lembram gaiolas. Por décadas, transportou passageiros e mercadorias, conectando cidades e povoados ao longo do "Velho Chico" em uma época em que as estradas eram poucas e precárias.
Um gigante movido a lenha
O funcionamento do Benjamim Guimarães é uma viagem no tempo. Sua propulsão vem de uma caldeira alimentada por lenha, que gera o vapor responsável por mover as enormes rodas de pás localizadas em sua popa. Essa tecnologia, comum no século XIX, faz da embarcação uma peça rara de engenharia naval ainda em atividade.
Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 1985, o vapor enfrentou desafios de conservação ao longo dos anos. A necessidade de reparos complexos em sua estrutura e maquinário o manteve parado por um longo período, gerando preocupação entre moradores e admiradores.
O processo de restauração foi minucioso, buscando preservar as características originais da embarcação e garantir a segurança para as viagens. Com a conclusão das obras em abril de 2025 e a reinauguração oficial em 1º de junho de 2025, o Benjamim Guimarães retomou seus passeios turísticos, oferecendo aos visitantes a experiência única de percorrer o Rio São Francisco a bordo de uma lenda viva.
O retorno do gigante de madeira às águas não representa apenas a recuperação de um bem material, mas a preservação de uma memória coletiva e a revitalização de um importante símbolo cultural e econômico para a região de Pirapora.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.