Do Clube da Esquina ao agito: a história que faz Santa Tereza único
Berço de artistas e reduto boêmio; mergulhe na trajetória do bairro que se tornou um dos mais charmosos e culturais de Belo Horizonte
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Mais que um endereço, Santa Tereza é um estado de espírito em Belo Horizonte. Berço do Clube da Esquina e reduto de bares tradicionais, o bairro da região Leste combina o charme de suas ruas arborizadas com uma efervescência cultural que atrai novos moradores e visitantes, consolidando-se como uma das áreas mais desejadas da capital mineira.
A história de Santa Tereza começou no final do século XIX, quando a região foi planejada para abrigar operários e imigrantes, principalmente italianos, que trabalhavam na construção da nova capital. Essa origem humilde marcou sua arquitetura, com casas geminadas e um traçado que favorece a vida em comunidade, características preservadas até hoje.
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Contudo, a identidade do bairro se entrelaçou para sempre com a música a partir da década de 1960. Embora a esquina das ruas Paraisópolis com Divinópolis tenha se tornado um símbolo icônico, a história do Clube da Esquina começou, na verdade, no Centro de Belo Horizonte. Foi no Edifício Levy, em 1963, que um jovem Milton Nascimento conheceu os irmãos Borges. A amizade floresceu ali e, quando a família Borges retornou a Santa Tereza, em 1968, os encontros musicais se solidificaram na casa deles. O apelido "Clube da Esquina", inclusive, foi criado pela mãe dos meninos, Dona Maricota, para se referir ao grupo. O movimento, eternizado no álbum homônimo de 1972, deu ao bairro uma projeção nacional.
A projeção nacional do movimento transformou Santa Tereza em um polo cultural de relevância nacional. A fama musical, que mais tarde também veria nascer bandas como Skank e Sepultura, atraiu artistas, intelectuais e um público que buscava um ambiente autêntico e criativo, moldando a alma boêmia que define o bairro.
De polo musical a roteiro gastronômico
Hoje, o legado musical convive com uma cena gastronômica pulsante. Bares e restaurantes ocupam casarões antigos, oferecendo da tradicional comida de boteco mineira à cozinha contemporânea. A memória do movimento é preservada em locais como o Bar do Museu Clube da Esquina, enquanto a Praça Duque de Caxias, centro nervoso do bairro, segue como ponto de encontro de todas as gerações.
O ritmo em "Santê", como é carinhosamente chamado pelos íntimos, parece diferente do resto da cidade. Durante o dia, uma atmosfera tranquila predomina, mas ao entardecer e nos fins de semana, as ruas ganham vida com o movimento dos botecos, eventos de rua e espaços culturais independentes.
Essa mistura de nostalgia musical, arquitetura preservada e um estilo de vida que celebra a convivência nas calçadas consolidou Santa Tereza. O bairro não é apenas um lugar para morar, mas uma experiência cultural viva, que continua a se reinventar sem perder a essência que o torna único.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.