Como funciona a investigação de um desaparecimento no Brasil hoje
Do boletim de ocorrência à busca ativa: entenda os protocolos, as tecnologias utilizadas e os desafios enfrentados pela polícia para encontrar pessoas
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A notícia do encontro do corpo de uma adolescente desaparecida na Grande Belo Horizonte despertou uma dúvida comum: o que acontece quando alguém some? A investigação de um desaparecimento no Brasil segue um protocolo que começa com um passo fundamental e urgente, envolvendo desde a coleta de informações básicas até o uso de tecnologia de ponta.
O ponto de partida é o registro de um boletim de ocorrência (B.O.) em qualquer delegacia de polícia. Em alguns estados, o registro também pode ser feito online, o que agiliza o processo. É importante desfazer um mito: não é preciso esperar 24 horas para comunicar um desaparecimento. A notificação deve ser imediata, pois as primeiras horas são consideradas as mais importantes para a investigação.
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Ao registrar o B.O., a família ou amigos devem fornecer o máximo de detalhes possível. Isso inclui uma foto recente, descrição de roupas e características físicas, além de informações sobre a rotina, últimos contatos e possíveis conflitos ou problemas que a pessoa enfrentava. Esses dados iniciais são cruciais para traçar as primeiras linhas de apuração.
O que acontece após o registro?
Com o boletim de ocorrência formalizado, a Polícia Civil instaura um procedimento de investigação. A partir daí, uma série de ações coordenadas é iniciada para tentar localizar a pessoa. Casos envolvendo crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência têm prioridade. As delegacias especializadas, como as de Pessoas Desaparecidas, assumem os casos mais complexos, mas a apuração inicial pode começar em qualquer unidade.
A tecnologia desempenha um papel central nas buscas modernas. As equipes policiais podem solicitar judicialmente o acesso a dados que ajudam a rastrear os últimos passos do desaparecido. As principais frentes de trabalho incluem:
Análise de celular: verificação das últimas ligações, mensagens e da localização do aparelho por meio de Estações Rádio Base (ERBs), as antenas de telefonia.
Rastreamento financeiro: monitoramento de cartões de crédito, débito e transações via Pix para identificar qualquer atividade recente.
Imagens de segurança: busca por registros em câmeras de ruas, estabelecimentos comerciais, condomínios e transporte público.
Redes sociais: investigação das últimas postagens, conversas e interações online da pessoa desaparecida.
Paralelamente, os investigadores realizam entrevistas com familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas. O objetivo é construir um perfil detalhado e entender o contexto que levou ao desaparecimento, que pode ser voluntário ou forçado.
Apesar dos protocolos, as autoridades enfrentam grandes desafios. O Brasil possui cadastros nacionais como o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID) e a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei 13.812/2019), mas ainda enfrenta desafios de integração plena entre todos os estados. Isso muitas vezes dificulta a troca de informações. Outro fator é o volume de casos, que sobrecarrega as equipes policiais, e a dimensão continental do país, que torna as buscas mais complexas.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.