A incrível história do cuscuz: como o prato africano virou ícone do Brasil
Viaje no tempo e descubra a origem do prato no Norte da África e como ele foi adaptado ao longo dos séculos até se tornar um patrimônio da nossa culinária
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Celebrado em 19 de março, o Dia do Cuscuz homenageia um dos pratos mais emblemáticos e versáteis da culinária brasileira. A data, que coincide com o Dia de São José, figura importante na religiosidade nordestina, celebra uma iguaria cuja jornada começou há séculos, muito longe do Brasil, em terras africanas. A história do cuscuz é uma verdadeira viagem cultural que atravessou continentes.
As origens do prato remontam aos povos berberes, habitantes do Norte da África, na região do Magrebe, há mais de mil anos. Originalmente, era feito com sêmola de trigo duro, cozido no vapor em uma panela especial de dois andares chamada cuscuzeira. A receita simples e nutritiva se espalhou rapidamente pelo Mediterrâneo e Oriente Médio com a expansão árabe.
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O cuscuz desembarcou na Europa através da Península Ibérica e, de lá, os colonizadores portugueses o trouxeram para o Brasil. Aqui, tornou-se base da alimentação de pessoas escravizadas e da população mais pobre, adaptando-se aos ingredientes locais e ao paladar do povo.
A criatividade brasileira e o milho
A principal mudança foi a substituição da sêmola de trigo pela farinha de milho, um grão nativo e abundante no território. Essa adaptação deu origem ao cuscuz que hoje conhecemos e amamos, especialmente no Nordeste, onde se tornou a base da alimentação de muitas famílias.
No Nordeste, ele é geralmente preparado apenas com flocão de milho, água e sal, servido no café da manhã ou como acompanhamento. Pode ser consumido puro, com manteiga, leite, ovos, queijo coalho ou combinado com carne de sol e outros pratos regionais.
Já no Sudeste, principalmente em São Paulo, surgiu uma versão completamente diferente: o cuscuz paulista. Trata-se de um prato mais complexo, que leva ingredientes como sardinha ou frango, ovos, palmito e ervilhas, moldado em uma forma e servido frio como uma espécie de torta salgada.
Reconhecimento internacional
A importância cultural do prato é tão grande que, em 2020, a Unesco declarou os saberes, as práticas e as tradições ligadas ao preparo e consumo do cuscuz como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reconhecendo o berço original dessa receita que conquistou o mundo e, principalmente, o coração do Brasil.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.