Mapa do desvio na saúde: os golpes mais comuns aplicados no SUS
De fraudes em escalas a contratos superfaturados: conheça os principais esquemas de corrupção que drenam recursos da saúde pública
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A "Operação Onipresença", deflagrada pelo Ministério Público em Minas Gerais, colocou em evidência um problema crônico que afeta o Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país: o desvio de dinheiro público. A investigação, que apura fraudes em contratos e manipulação de escalas médicas em hospitais da Zona da Mata, serve como um alerta para os diversos esquemas de corrupção que drenam recursos essenciais da saúde.
O caso mineiro, no entanto, é apenas um retrato de práticas que se repetem em diferentes níveis de complexidade. Esses golpes não apenas comprometem o orçamento, mas também impactam diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população, resultando em filas maiores, falta de medicamentos e equipamentos sucateados.
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Para entender como esses recursos desaparecem, é preciso conhecer os mecanismos mais utilizados. As fraudes são variadas e muitas vezes contam com a participação de agentes públicos, empresários e profissionais da saúde.
Contratos superfaturados e licitações
Um dos métodos mais comuns é o superfaturamento na compra de equipamentos, medicamentos e insumos. Empresas, em conluio com gestores, vendem produtos por preços muito acima do mercado. As licitações também são um ponto vulnerável, com editais direcionados para beneficiar companhias específicas, eliminando a concorrência justa.
Escalas de plantão manipuladas
Como investigado em Minas Gerais, a manipulação de escalas de trabalho é outra fraude recorrente. Médicos e outros profissionais registram presença, mas não cumprem a jornada completa, ou simplesmente recebem por plantões que nunca realizaram. O esquema pode envolver desde acordos informais entre colegas até sistemas de ponto eletrônico burlados.
Funcionários fantasmas
Nesta modalidade, pessoas são incluídas na folha de pagamento de hospitais e unidades de saúde sem nunca terem trabalhado no local. O salário é desviado para os organizadores do esquema. A prática é difícil de fiscalizar e causa um prejuízo silencioso e contínuo aos cofres públicos.
Faturamento de procedimentos
Hospitais e clínicas conveniadas ao SUS também podem fraudar o sistema ao cobrar por procedimentos mais caros do que os efetivamente realizados ou até mesmo por atendimentos que nunca aconteceram. Essa prática de superfaturamento de procedimentos infla artificialmente as contas e gera repasses indevidos de verbas federais.
Desvio de materiais e medicamentos
Medicamentos de alto custo, materiais cirúrgicos e outros insumos comprados com dinheiro público são desviados para serem vendidos no mercado ilegal ou utilizados em clínicas particulares. A ação deixa os estoques dos hospitais públicos desfalcados, prejudicando pacientes que dependem do tratamento.
O resultado direto dessa corrupção é a precarização do atendimento na ponta. O dinheiro que deveria ser investido em mais leitos, melhores salários e tecnologia de ponta acaba financiando redes criminosas. O combate a essas práticas depende da atuação constante de órgãos de fiscalização como o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o próprio Ministério Público.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.