Cidades submersas: a engenharia por trás das galerias pluviais
Entenda para que servem, como são construídas e por que as redes de drenagem de chuva muitas vezes não dão conta do volume de água nas grandes cidades
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As recentes chuvas que atingiram Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e resultaram no desaparecimento de um jovem arrastado para uma galeria pluvial trouxeram à tona uma realidade invisível para a maioria dos moradores das cidades: a complexa rede de drenagem que corre sob o asfalto. Essas estruturas, essenciais para o escoamento da água, são verdadeiras veias subterrâneas projetadas para evitar inundações.
Conhecidas tecnicamente como galerias de águas pluviais, elas formam um sistema de túneis e canais que coleta a água da chuva que escorre por ruas e calçadas. A captação é feita pelas bocas de lobo, aquelas grades que vemos nas sarjetas. De lá, a água é direcionada para essa rede subterrânea, que a transporta para rios, córregos ou lagos.
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Como funciona essa engenharia subterrânea?
A construção de uma rede de drenagem é um projeto de alta complexidade. Tudo começa com um estudo detalhado da topografia da região e do volume médio de chuvas. Com base nesses dados, engenheiros dimensionam o tamanho dos dutos, que geralmente são de concreto armado, e definem o trajeto que eles seguirão sob a cidade.
A execução envolve escavações profundas, instalação das tubulações e a construção de poços de visita, que são os pontos de acesso para inspeção e manutenção. O objetivo é criar um caminho contínuo e com a inclinação correta para que a gravidade faça seu trabalho, levando a água para o destino final sem a necessidade de bombeamento.
Se o sistema é projetado para escoar a água, por que as cidades continuam alagando? A resposta está na combinação de três fatores principais. O primeiro é o envelhecimento da infraestrutura. Muitas galerias foram construídas há décadas, pensadas para um volume de chuva e uma área urbana muito menores.
O segundo fator é a crescente impermeabilização do solo. Com mais asfalto e concreto, a água deixa de ser absorvida pela terra e corre em volume muito maior para as bocas de lobo, sobrecarregando o sistema. É como tentar escoar o conteúdo de uma piscina inteira por um ralo de pia.
Por fim, o descarte inadequado de lixo e entulho nas ruas agrava o cenário. Esses detritos são levados pela enxurrada e entopem as entradas do sistema, causando alagamentos imediatos. A mudança no padrão das chuvas, com eventos climáticos cada vez mais extremos, expõe os limites de uma rede que não foi pensada para essa nova realidade.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.