Como funcionam os robôs ('bots') que compram ingressos mais rápido
Entenda a tecnologia usada por cambistas digitais para esgotar entradas de grandes shows em segundos e por que é tão difícil combatê-los
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Se você já tentou comprar ingressos para um grande show e viu tudo esgotar em segundos, a culpa pode não ser apenas da alta demanda. A verdadeira competição acontece contra robôs de compra, conhecidos como 'bots', programas de computador criados por cambistas para automatizar e acelerar todo o processo, garantindo as melhores entradas antes de qualquer fã.
Esses programas de computador funcionam com uma velocidade e eficiência que uma pessoa jamais conseguiria alcançar. Enquanto um comprador humano precisa preencher manualmente dados como nome, CPF e cartão de crédito, o bot faz isso em uma fração de segundo. Ele armazena todas as informações necessárias e as insere automaticamente nos campos do site de vendas.
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A grande vantagem dos robôs, no entanto, é que muitos deles nem interagem com a interface visual do site. Eles se comunicam diretamente com a API do sistema da tiqueteira, a infraestrutura por trás da página. Isso significa que eles não precisam esperar o carregamento de imagens ou menus, enviando solicitações de compra de forma direta e muito mais rápida.
Para contornar limites de compra por pessoa, os cambistas utilizam centenas de contas falsas, cada uma com dados e endereços de IP diferentes. Assim, um único operador pode comandar um exército de bots para adquirir uma grande quantidade de ingressos simultaneamente, esgotando setores inteiros em um piscar de olhos.
Por que é tão difícil combater os robôs?
A luta contra os bots é uma disputa tecnológica constante. As empresas de ingressos implementam barreiras, como os testes CAPTCHA, que pedem para o usuário identificar imagens ou digitar textos distorcidos. Contudo, os bots mais avançados já usam inteligência artificial para resolver esses desafios ou recorrem a serviços que pagam pessoas para solucioná-los em tempo real.
Outro desafio é que os desenvolvedores desses programas os aprimoram para imitar o comportamento humano. Eles podem simular o movimento do mouse, pausas aleatórias e cliques, tornando a detecção muito mais complexa. Distinguir um fã extremamente rápido de um bot sofisticado durante picos de tráfego é uma tarefa complicada.
Diante desse cenário, as tiqueteiras têm adotado estratégias mais robustas. Uma delas é o sistema de "fãs verificados", que exige um cadastro prévio do interessado. Após uma análise para filtrar atividades suspeitas, os fãs selecionados recebem um código exclusivo para acessar a venda, criando uma barreira extra contra a automação em massa.
Além disso, tecnologias de análise de comportamento monitoram padrões de navegação para identificar atividades não humanas. O objetivo é criar um ambiente de compra mais justo, embora a corrida tecnológica entre as empresas de ingressos e os cambistas digitais esteja longe de terminar.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.