O que é capacitismo? 7 falas do dia a dia que você precisa eliminar
O preconceito contra pessoas com deficiência muitas vezes está disfarçado em expressões comuns; aprenda a identificar e combater o capacitismo
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A repercussão de casos recentes de discriminação acendeu um importante debate sobre um preconceito muitas vezes invisível: o capacitismo. O termo se refere à discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência, baseado na ideia de que corpos e mentes considerados “padrão” são superiores.
Esse tipo de preconceito não se limita a ofensas diretas ou à exclusão explícita. Ele está presente em comentários sutis, piadas e até em elogios disfarçados que reforçam estereótipos e subestimam a capacidade e a autonomia das pessoas com deficiência.
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A linguagem é uma das principais ferramentas de perpetuação do capacitismo. Expressões comuns, usadas sem má intenção, podem carregar significados que diminuem ou invalidam a experiência de 17,3 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência — o que representa 8,4% da população —, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo IBGE.
Identificar e eliminar essas falas do vocabulário é um passo fundamental para construir uma sociedade mais inclusiva. A mudança começa com a conscientização de que a deficiência é apenas uma das muitas características que compõem um indivíduo, e não algo que o defina ou limite.
7 frases capacitistas para eliminar do vocabulário
Para ajudar a identificar e combater o capacitismo no dia a dia, listamos sete expressões comuns que devem ser evitadas, junto com o motivo pelo qual são problemáticas.
“Pessoa com necessidades especiais”. O termo correto é “pessoa com deficiência”. Usar “especial” é um eufemismo que infantiliza e pode criar a impressão de que a pessoa precisa de tratamento diferenciado o tempo todo, em vez de acessibilidade e direitos garantidos.
“Você é um exemplo de superação”. Embora frequentemente dito como um elogio, essa frase trata a deficiência como uma tragédia a ser vencida. Pessoas com deficiência não estão superando algo todos os dias, estão apenas vivendo suas vidas.
“Fingir demência” ou “dar uma de João sem braço”. Essas expressões usam condições de saúde e deficiências como sinônimos de comportamentos negativos, como desonestidade ou preguiça, o que reforça estigmas prejudiciais.
“Que mancada”. A expressão tem origem no termo “manco”, usado de forma pejorativa para se referir a quem tem dificuldade de locomoção. Usá-la para descrever um erro associa a deficiência a algo negativo.
“Tão bonito(a), nem parece que tem deficiência”. Esse comentário embute a ideia de que a deficiência é algo feio ou indesejável, vinculando o valor de uma pessoa à sua aparência e à ausência de uma condição física ou neurológica.
“Mais perdido que cego em tiroteio”. A frase usa a cegueira como metáfora para desorientação e incapacidade, perpetuando o estereótipo de que pessoas cegas são completamente desamparadas ou incapazes de se situar no ambiente.
“Apesar da deficiência, ele(a) conseguiu”. A conjunção “apesar de” sugere que a deficiência é um obstáculo intransponível, e que qualquer conquista é uma exceção. O correto é reconhecer as habilidades da pessoa, pois a deficiência é apenas uma de suas características, não um impedimento total.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.