A jornada do puerpério: os desafios da saúde mental pós-parto
A pressão social e as mudanças hormonais podem levar a quadros de depressão; saiba identificar os sinais e a importância da rede de apoio para mães
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A comoção gerada por notícias sobre o desamparo de mães e bebês joga luz sobre um período de extrema vulnerabilidade para as mulheres: o puerpério. Muitas vezes romantizada, a fase pós-parto é marcada por uma tempestade de mudanças hormonais, físicas e emocionais que pode afetar profundamente a saúde mental, sendo um desafio que vai muito além da recuperação física.
Logo após o parto, os níveis de hormônios como progesterona e estrogênio, que estavam altíssimos na gestação, caem abruptamente. Essa mudança drástica, somada ao cansaço extremo, à privação de sono e à pressão social por uma maternidade perfeita, cria um cenário propício para o surgimento de transtornos de humor. É um período de intensa adaptação a uma nova identidade e rotina.
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É fundamental diferenciar o "baby blues", uma melancolia passageira que atinge entre 50% e 80% das mães e geralmente desaparece em até três semanas, da depressão pós-parto. A depressão é uma condição mais grave e duradoura, que exige atenção e tratamento especializado para não comprometer o bem-estar da mãe e o desenvolvimento do vínculo com o bebê.
Como identificar os sinais de alerta
A rede de apoio, formada por parceiros, familiares e amigos, tem um papel crucial na identificação dos primeiros sinais de que algo não vai bem. Ignorar os sintomas pode agravar o quadro. Ficar atento a mudanças de comportamento é o primeiro passo para oferecer ajuda. Alguns dos principais indicativos incluem:
Tristeza profunda e persistente, com crises de choro frequentes.
Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, inclusive cuidar do bebê.
Ansiedade intensa, preocupação excessiva ou ataques de pânico.
Sentimentos de culpa, inutilidade ou de ser uma mãe inadequada.
Alterações significativas no apetite ou no padrão de sono (além do esperado).
Dificuldade de concentração e de tomada de decisões simples.
Pensamentos sobre machucar a si mesma ou ao bebê.
O apoio prático e emocional é essencial. Oferecer-se para cuidar da criança por algumas horas para que a mãe descanse, ajudar nas tarefas domésticas ou simplesmente ouvir sem julgamentos são atitudes que fazem a diferença. Incentivar a busca por ajuda profissional, seja de um psicólogo ou psiquiatra, é um ato de cuidado fundamental, assim como o acompanhamento de saúde rotineiro no pós-parto.
Cuidar da saúde mental materna é uma responsabilidade coletiva. Uma mãe amparada e saudável tem mais condições de oferecer o cuidado e o afeto necessários para o pleno desenvolvimento do seu filho, quebrando um ciclo de vulnerabilidade e sofrimento.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.