Ciência

Polilaminina: como funciona o fármaco brasileiro que regenera a medula

Após aprovação da Anvisa, pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio avança para testes em humanos usando uma proteína como 'andaime' para reconectar neurônios; entenda a ciência por trás.

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Após mais de 25 anos de pesquisa, um estudo brasileiro liderado pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avança no desenvolvimento de um fármaco capaz de regenerar a medula espinhal. Chamado de polilaminina, o tratamento inovador usa uma proteína para ajudar na recuperação de movimentos perdidos após lesões graves.

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A pesquisa, que já avançou para testes clínicos em humanos após aprovação da Anvisa em janeiro de 2026, representa uma nova esperança para milhares de pessoas que vivem com paralisia. A abordagem se diferencia por criar um ambiente favorável para que as próprias células nervosas do corpo possam se reconectar de forma funcional.

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Após uma lesão na medula espinhal, uma cicatriz se forma no local, bloqueando a comunicação entre os neurônios. As células nervosas até tentam se regenerar, mas não encontram um caminho para se reconectar, o que resulta na perda de movimentos e sensibilidade abaixo do local afetado.

É exatamente nesse ponto que a polilaminina atua. O fármaco utiliza uma versão modificada da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano e que, na pesquisa, é extraída da placenta humana. Essa proteína é fundamental para o crescimento e a adesão das células, e a descoberta da equipe brasileira foi como transformá-la em um material biologicamente ativo e estável.

Como a proteína age no corpo?

A polilaminina é aplicada na forma de um hidrogel diretamente na área da lesão medular. Esse gel funciona como uma espécie de “andaime” ou ponte biológica. Ele preenche o espaço vazio deixado pela lesão e cria uma estrutura organizada que guia os neurônios durante seu processo de regeneração.

Essa estrutura tridimensional não apenas oferece um suporte físico, mas também libera sinais químicos que estimulam o crescimento das fibras nervosas, conhecidas como axônios. Com esse caminho livre e o estímulo correto, os neurônios conseguem atravessar a área da cicatriz e restabelecer conexões que antes estavam perdidas.

Os resultados em testes com animais se mostraram promissores, com recuperação significativa da função motora, o que abriu caminho para a aplicação em seres humanos.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o início dos estudos clínicos de fase 1. Além dos testes oficiais, ao menos 16 pacientes obtiveram autorização judicial para o uso experimental do fármaco, e relatos preliminares indicam que cinco desses pacientes já apresentaram algum retorno parcial dos movimentos.

Com a aprovação da Anvisa e o início dos testes clínicos, a pesquisa entra em uma nova fase crucial, contando com a parceria do laboratório farmacêutico Cristália para a produção do fármaco. Embora os resultados ainda sejam preliminares, a tecnologia desenvolvida no Brasil já representa uma das fronteiras mais promissoras para o tratamento de uma das condições mais desafiadoras da medicina moderna.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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