A história dos blocos de rua de BH: como o Carnaval da cidade renasceu
De uma festa modesta a uma das maiores do Brasil; entenda o movimento cultural que revitalizou o Carnaval de Belo Horizonte na última década e o consolidou
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O que hoje é um dos maiores carnavais de rua do Brasil já foi uma festa tímida e quase esquecida em Belo Horizonte. A grande virada, que transformou a capital mineira em um destino cobiçado por foliões de todo o país, começou há pouco mais de uma década, impulsionada por um movimento espontâneo que resgatou a tradição e reinventou a folia na cidade.
Até o início dos anos 2000, o carnaval belo-horizontino se resumia principalmente aos desfiles de escolas de samba e blocos caricatos na Avenida Afonso Pena, além de festas privadas em clubes. As ruas, no geral, permaneciam vazias, e muitos moradores aproveitavam o feriado para viajar para cidades históricas ou para o litoral.
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O movimento que reacendeu a folia
A semente da mudança foi plantada em 2009, quando o desejo coletivo de reocupar os espaços públicos da cidade ganhou força como resposta a medidas restritivas da prefeitura. Naquele ano, blocos pioneiros como Tico Tico Serra Copo e Peixoto saíram às ruas, dando início à retomada do carnaval popular. O movimento se fortaleceu com manifestações como a "Praia da Estação" em 2010, um protesto bem-humorado que reforçou o espírito de apropriação do espaço urbano e inspirou a criação de novos blocos, como o emblemático "Então, Brilha!".
Grupos de amigos, músicos e artistas começaram a se organizar de maneira informal, movidos pela vontade de criar um carnaval democrático, gratuito e acessível. Muitos cortejos também carregam pautas políticas e sociais, lutando contra o racismo, a LGBTfobia e o machismo, uma característica marcante da folia belo-horizontina.
De dezenas a centenas de blocos
O crescimento foi exponencial. O que começou com poucos blocos em 2009 se multiplicou rapidamente. Em 2017, a festa já registrava 3 milhões de foliões e 416 blocos. No ano seguinte, em 2018, os números saltaram para 3,8 milhões de pessoas e 480 cortejos. Após a pausa imposta pela pandemia de COVID-19 e a retomada em 2023, o carnaval de 2025 quebrou todos os recordes, com um público estimado de 6,05 milhões de foliões, consolidando a magnitude do evento.
A principal característica do carnaval de Belo Horizonte é a sua diversidade. Blocos como o "Baianas Ozadas", que já chegou a reunir 650 mil pessoas em um único desfile, exemplificam a força da festa. Existem cortejos com repertórios que vão do samba e marchinhas tradicionais ao axé, rock, funk e música eletrônica. Essa pluralidade, somada à gratuidade e à organização popular, consolidou o modelo de festa que hoje é referência no Brasil.
Atualmente, consolidado pelo recorde de 6,05 milhões de foliões em 2025, o carnaval de BH é um dos principais destinos do país, atraindo turistas de diversas partes do mundo e movimentando a economia local de forma significativa. O evento se transformou em um símbolo da cultura urbana da cidade, provando que a união da comunidade pode revitalizar tradições e criar um dos maiores espetáculos populares do Brasil.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.