Mitos e verdades: o que o eclipse solar significava para os povos antigos
Muito antes da ciência, o fenômeno era visto com temor e fascínio; conheça as lendas e interpretações de diferentes civilizações sobre o dia que virava noite
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Muito antes dos telescópios e da ciência, o súbito desaparecimento do Sol no meio do dia era um evento que provocava medo e espanto. Para os povos antigos, um eclipse solar não era um fenômeno astronômico, mas um sinal divino, um presságio de desastres ou uma batalha cósmica travada nos céus. As interpretações variavam, mas quase sempre envolviam mitos e rituais para lidar com a escuridão repentina.
Em muitas culturas, o eclipse era visto como um ataque direto ao Sol. Na China antiga, acreditava-se que um dragão celestial estava devorando o astro. A população reagia com barulho, batendo em tambores e potes para assustar a criatura e forçá-la a cuspir o Sol de volta. De forma semelhante, a mitologia nórdica contava sobre dois lobos — Sköll perseguindo o Sol e Hati perseguindo a Lua — e um eclipse significava que o astro estava prestes a ser capturado por seu perseguidor.
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Para os astecas, no México, o fenômeno era ainda mais aterrorizante. Eles acreditavam que, durante a escuridão, demônios estelares em forma de esqueletos, os Tzitzimimeh, desceriam à Terra para devorar as pessoas. O temor era tão grande que, segundo relatos, sacrifícios eram oferecidos na esperança de fortalecer o Sol e evitar o fim do mundo.
Presságios divinos e interpretações místicas
Nem todas as interpretações eram sobre monstros. Os incas, que adoravam Inti, o deus do Sol, viam o eclipse como um sinal de sua fúria. O evento poderia prever a morte de um líder ou outros desastres, levando a rituais de jejum e oferendas para apaziguar a divindade. Na Índia, a mitologia hindu narra a história do demônio Rahu, que tenta roubar o néctar da imortalidade e é decapitado pelos deuses. Sua cabeça imortal continua a perseguir o Sol, engolindo-o periodicamente.
A visão do eclipse como um mau presságio também era comum na Grécia Antiga e no Império Romano, onde o evento era associado a acontecimentos negativos, como a morte de governantes ou a derrota em batalhas. Foi apenas com o avanço do conhecimento astronômico que o medo deu lugar à curiosidade. Filósofos e matemáticos gregos foram os primeiros a entender a mecânica celeste por trás do fenômeno, calculando e até prevendo eclipses com precisão. Essa mudança marcou o início da transição do mito para a ciência, transformando o temor em fascínio.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.