Qual a diferença entre aumento real e reajuste pela inflação?
Os termos dominam o debate sobre o salário mínimo, mas geram confusão; entenda de vez o que cada um significa para o seu poder de compra
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Com a proximidade das discussões sobre o salário mínimo de 2026, dois termos voltam a ganhar destaque no noticiário e nas conversas: aumento real e reajuste pela inflação. Embora usados muitas vezes como sinônimos, eles representam conceitos diferentes que impactam diretamente o seu poder de compra. Entender essa distinção é essencial para saber se o seu dinheiro passará a valer mais ou apenas acompanhará a alta dos preços.
De forma simples, o reajuste pela inflação não é um ganho, mas sim uma correção. O objetivo é garantir que o seu salário continue comprando a mesma quantidade de produtos e serviços que comprava antes. Se em um ano a inflação oficial foi de 4%, um reajuste de 4% no seu salário apenas repõe o poder de compra perdido. Na prática, o dinheiro não sobrou, apenas deixou de faltar para manter o mesmo padrão.
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Imagine que um carrinho de compras custava R$ 500. Com uma inflação de 4%, esse mesmo carrinho passa a custar R$ 520. Um reajuste salarial de 4% serve justamente para cobrir essa diferença, sem que você precise tirar itens da lista.
O que é o aumento real?
Aqui a história muda. O aumento real é todo valor de reajuste que ultrapassa a inflação acumulada no período. É ele que, de fato, eleva o poder de compra do trabalhador. Usando o mesmo exemplo anterior, se a inflação foi de 4% e o seu salário subiu 6%, você teve um aumento real de 2%. Esse percentual extra significa que, além de acompanhar os preços, seu dinheiro agora pode comprar mais do que antes.
Essa é a principal diferença: enquanto o reajuste pela inflação mantém seu poder de compra estável, o aumento real o amplia. No debate sobre o salário mínimo, essa distinção é crucial, pois define se a política do governo busca apenas proteger o trabalhador da alta de preços ou também promover uma melhora efetiva em sua condição de vida.
A atual política de valorização do salário mínimo no Brasil, retomada em 2023, combina os dois conceitos. A fórmula prevê a correção pela inflação acumulada nos 12 meses até novembro do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), somada a um aumento real equivalente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Com o arcabouço fiscal em vigor desde 2023, o ganho real acima da inflação é limitado a um teto de 2,5%, mesmo que o PIB tenha crescido mais que isso. Isso garante a reposição da inflação e um ganho adicional de poder de compra para a população.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.