Vírus Nipah na Índia: o que é, sintomas e qual o risco para o Brasil
OMS monitora novo surto de doença com alta letalidade; entenda como ocorre a transmissão, as formas de prevenção e se há motivo para preocupação global
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Um novo surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, acendeu um alerta global em janeiro de 2026, com cinco casos confirmados, incluindo profissionais de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora a situação de perto devido à alta taxa de letalidade da doença, que pode variar entre 40% e 75%, e ao fato de que entre 100 e 190 pessoas estão sob observação por possível contato com os infectados.
O vírus Nipah (NiV) é considerado uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Seus hospedeiros naturais são os morcegos-frugívoros, também conhecidos como raposas-voadoras. A infecção ocorre principalmente pelo contato direto com esses animais ou seus fluidos, como saliva e urina.
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Além dos morcegos, outros animais, como porcos, podem atuar como hospedeiros intermediários. O surto que levou à descoberta do vírus ocorreu na Malásia em 1998, ligado a suínos infectados. Este é o primeiro surto registrado em Bengala Ocidental em cerca de 19 anos; desde 2018, os casos na Índia vinham se concentrando no estado de Kerala, que enfrentou um episódio menor em julho de 2025 com três infecções e duas mortes.
Como ocorre a transmissão?
A disseminação do vírus Nipah pode acontecer de diferentes formas, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde. As principais vias de contágio incluem:
Contato direto: tocar em animais infectados, como morcegos e porcos, ou em seus fluidos corporais.
Alimentos contaminados: consumir frutas ou outros alimentos que tiveram contato com saliva ou urina de morcegos infectados. O consumo de seiva de tâmara crua é uma fonte conhecida de surtos e investiga-se que seja a origem do "caso zero" no atual episódio em Bengala Ocidental.
Pessoa para pessoa: o contato próximo com um indivíduo infectado, por meio de secreções como saliva, gotículas respiratórias ou sangue, também pode transmitir o vírus.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas do vírus Nipah geralmente aparecem de 4 a 14 dias após a exposição. No início, o quadro é semelhante ao de uma gripe, com febre alta, dor de cabeça, dores musculares, vômito e dor de garganta. No entanto, a doença pode evoluir rapidamente.
Em casos graves, o paciente pode desenvolver encefalite, uma inflamação aguda do cérebro. Os sinais neurológicos incluem tontura, sonolência, confusão mental e convulsões. Em 24 a 48 horas, o quadro pode progredir para o coma e, em muitos casos, levar à morte.
Qual o risco para o Brasil?
Apesar do alerta, a OMS considera o risco de disseminação internacional "baixo" até o momento. O surto está geograficamente contido na Índia, mas países asiáticos como Tailândia, Nepal e Hong Kong já ativaram protocolos de triagem em aeroportos como medida de precaução. Não há registro de casos no Brasil, mas autoridades como a Anvisa monitoram constantemente doenças com potencial pandêmico.
Não existe vacina ou tratamento específico aprovado para a infecção pelo vírus Nipah. A abordagem médica se concentra no tratamento de suporte para aliviar os sintomas graves. Em surtos anteriores e no atual, medicamentos antivirais como o Remdesivir têm sido usados de forma experimental como terapia de suporte, visando reduzir a severidade da doença e a taxa de fatalidade.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.