Tecnologia

T-Rex e Harpia: como o supercomputador e a IA da Receita Federal cruzam seus dados

Conheça a dupla tecnológica que processa bilhões de dados para identificar sonegação e inconsistências fiscais, incluindo as movimentações via Pix

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A Receita Federal utiliza uma poderosa combinação de tecnologia para fiscalizar as finanças dos brasileiros: o supercomputador T-Rex e o software de inteligência artificial Harpia. Em operação desde 2005 e constantemente atualizado, o T-Rex fornece a capacidade de processamento para que o Harpia cruze bilhões de informações em alta velocidade, incluindo dados de bancos, cartões de crédito e transações via Pix, em busca de inconsistências na declaração do Imposto de Renda.

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O objetivo da ferramenta é identificar movimentações financeiras que não correspondam aos rendimentos declarados. Na prática, o software Harpia funciona como um cérebro digital, analisando um volume de dados que seria impossível para uma equipe humana e apontando padrões suspeitos de sonegação fiscal com alta precisão.

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Como o sistema funciona

Operando sobre a estrutura do T-Rex, o software Harpia cruza massivamente informações de diversas fontes, como instituições financeiras (através de obrigações como a e-Financeira), cartórios, imobiliárias e dados do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). O sistema compara tudo o que você declarou no Imposto de Renda com o que essas fontes informaram sobre suas atividades financeiras.

Por exemplo, se um contribuinte declara uma renda mensal de R$ 5 mil, mas o sistema identifica uma movimentação bancária ou gastos no cartão de crédito muito superiores a esse valor, um alerta é gerado. A inteligência artificial consegue conectar a compra de um carro com a capacidade financeira declarada pela pessoa, tornando a fiscalização muito mais eficiente.

A fiscalização do Pix

As transações via Pix se tornaram um ponto de atenção na fiscalização. Diferente do que se imagina, a Receita Federal não monitora cada transação em tempo real. As instituições financeiras informam os montantes globais movimentados pelos contribuintes através de declarações específicas, como a e-Financeira, quando os valores superam determinados limites. Portanto, o Fisco cruza o volume total movimentado via Pix no ano com a renda declarada, e não operações individuais.

Qualquer volume de movimentação incompatível com os rendimentos declarados, que não seja justificado como doação ou empréstimo devidamente formalizado, pode levar o contribuinte à malha fina. O sistema analisa o consolidado anual e o compara com a declaração, identificando rapidamente quem deixou de informar rendimentos.

Entre as principais informações que o sistema cruza estão:

  • Movimentações financeiras (depósitos, saques, transferências), incluindo os montantes de Pix.

  • Faturas e gastos realizados com cartões de crédito.

  • Compra e venda de imóveis e veículos.

  • Aquisição de bens de alto valor, como joias e obras de arte.

  • Aplicações e resgates em investimentos financeiros.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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