Como funcionam as fraudes no INSS e como o governo tenta combatê-las
De atestados falsos a beneficiários fantasmas; entenda os principais tipos de golpes aplicados contra a Previdência e as tecnologias usadas no combate
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As fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) representam um problema antigo e bilionário que voltou ao debate público com investigações recentes, como a Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025. A complexidade desses crimes, que desviam recursos essenciais da Previdência Social, exige um combate constante por parte das autoridades.
Os golpes aplicados contra o sistema previdenciário são variados e se utilizam de diferentes artimanhas para lesar os cofres públicos. Os esquemas vão desde a falsificação de documentos simples até a criação de redes organizadas para obter benefícios de forma indevida.
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Principais tipos de fraudes no INSS
Os golpes contra a Previdência são diversos, mas alguns se destacam pela frequência e pelo impacto financeiro. Entender como funcionam é o primeiro passo para compreender a dimensão do problema enfrentado pelo governo.
Beneficiários fantasmas: um dos golpes mais comuns envolve a criação de pessoas que não existem ou a manutenção de pagamentos para segurados que já faleceram. Os fraudadores usam documentos falsos para solicitar e receber os valores mensalmente.
Atestados médicos falsos: para obter benefícios por incapacidade, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, criminosos apresentam laudos e atestados médicos forjados, simulando doenças ou lesões que não possuem.
Fraudes na prova de vida: golpistas se passam por aposentados ou pensionistas, muitas vezes utilizando documentos de pessoas já falecidas, para realizar a prova de vida e manter o benefício ativo indevidamente.
Empresas de fachada: organizações criminosas criam empresas que existem apenas no papel para registrar vínculos empregatícios falsos. O objetivo é simular contribuições e garantir que pessoas que nunca trabalharam naquelas funções consigam se aposentar.
Como o governo combate os golpes
Para combater essas práticas, o governo federal tem investido cada vez mais em tecnologia e cruzamento de dados. A Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência, é a principal responsável por esse monitoramento, utilizando ferramentas avançadas para identificar inconsistências e potenciais crimes.
Sistemas de inteligência artificial analisam padrões suspeitos, como múltiplos benefícios vinculados a um mesmo endereço ou a concessão de auxílios com base em atestados de um mesmo profissional. O cruzamento de informações entre diferentes bases de dados do governo também é fundamental.
O CPF do beneficiário, por exemplo, é verificado constantemente em sistemas de controle de óbitos para evitar pagamentos após a morte do segurado. O governo também realiza os chamados "pentes-finos", que são revisões periódicas nos benefícios concedidos. Nesses processos, segurados são convocados para reavaliação de perícias médicas e atualização de documentos, o que ajuda a identificar e cortar pagamentos irregulares.
As fraudes no INSS representam um prejuízo bilionário aos cofres públicos. Segundo investigações recentes da Polícia Federal e da CGU, esquemas de descontos irregulares causaram um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões, afetando mais de 4 milhões de beneficiários. O combate a esses crimes é essencial para garantir a sustentabilidade do sistema, e ações de reparação já resultaram, até 2026, na devolução de mais de R$ 2,83 bilhões aos segurados lesados.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.