5 mitos sobre a culpa da vítima de estupro que precisam acabar
Da roupa que a mulher vestia ao fato de ter bebido; entenda por que essas justificativas são falsas e perpetuam a cultura do estupro
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A violência sexual é um problema grave que gera comoção e revolta. Contudo, em meio ao debate público, antigas e perigosas justificativas para o crime frequentemente ressurgem, focando no comportamento da vítima em vez do agressor. Essa inversão de responsabilidade, conhecida como cultura do estupro, perpetua mitos que precisam ser desmentidos para que a discussão avance.
Transferir o foco para a vítima não apenas protege o agressor, mas também desestimula outras mulheres a denunciarem. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, por exemplo, revelam a alarmante frequência de casos, mas a subnotificação ainda é um grande desafio, motivado em parte pelo medo do julgamento. Entender por que esses argumentos são falsos é fundamental para combater essa cultura. Abaixo, desmontamos cinco dos mitos mais comuns.
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A roupa da vítima justifica o crime
A ideia de que uma roupa curta, decotada ou justa pode provocar um estupro é uma das falácias mais comuns. A violência sexual é um ato de poder e dominação, não de desejo incontrolável. A escolha do vestuário de uma pessoa é uma forma de expressão pessoal e nunca um convite ou consentimento para qualquer ato. A responsabilidade pelo crime é exclusiva de quem o comete.
Ela bebeu ou usou drogas
Argumentar que o consumo de álcool ou outras substâncias torna a vítima culpada é ignorar a lei e o conceito de consentimento. Uma pessoa intoxicada não tem condições de consentir de forma livre e consciente. Na verdade, a vulnerabilidade causada pela substância é um agravante para o agressor, que se aproveita da situação para cometer o crime.
A vítima flertou ou teve comportamento “sugestivo”
Nenhum comportamento prévio, seja um flerte, uma conversa ou um beijo, representa um consentimento para uma relação sexual. O consentimento precisa ser claro, específico para o ato e pode ser retirado a qualquer momento. A história sexual de uma pessoa também é irrelevante e não serve como justificativa para a violência.
Ela não reagiu ou não lutou o suficiente
Sob uma ameaça extrema, o corpo humano pode ter diferentes reações, incluindo o "congelamento", uma resposta involuntária ao medo intenso. Exigir que a vítima reaja fisicamente desconsidera o pânico e o risco de uma violência ainda maior por parte do agressor. A ausência de luta ou de ferimentos visíveis não significa consentimento.
O local ou o horário eram perigosos
Questionar por que a vítima estava em determinado lugar ou horário é transferir a culpa do criminoso para a liberdade de ir e vir. O problema não é a presença da mulher em um espaço público, mas a ação do agressor. Todas as pessoas têm o direito de circular livremente e em segurança, sem medo de sofrer violência.
Se você ou alguém que você conhece foi vítima de violência sexual, procure ajuda. A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) oferece escuta e orientação qualificadas em todo o país. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) também são pontos de apoio cruciais para o acolhimento e a denúncia formal.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.