Vício em apostas online: como identificar os sinais e onde buscar ajuda
A facilidade de acesso aos jogos pode levar à compulsão; veja os sintomas do vício e indicam os canais de apoio para jogadores
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A crescente popularidade das apostas online, impulsionada por campanhas de marketing e pela facilidade de acesso em celulares, transformou o que era para ser entretenimento em um problema sério para muitas pessoas. A linha entre uma aposta casual e a compulsão pode ser tênue, e reconhecer os sinais de alerta é o primeiro passo para evitar consequências financeiras e emocionais graves.
O vício em jogos, também conhecido como jogo patológico ou ludopatia — transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e classificado como F63.0 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) —, não se define pela quantidade de dinheiro perdida, mas pela perda de controle sobre o impulso de apostar. A pessoa continua jogando apesar dos prejuízos evidentes em sua vida pessoal, profissional e financeira, sempre na esperança de recuperar o que foi perdido, o que alimenta um ciclo destrutivo.
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Como identificar os sinais de alerta
A compulsão por apostas se manifesta por meio de mudanças de comportamento que, muitas vezes, são notadas primeiro por amigos e familiares. Ficar atento a esses sinais de alerta é fundamental para buscar ajuda a tempo. Os principais indicativos incluem:
Preocupação constante com o jogo: pensar em apostas o tempo todo, planejar a próxima jogada e como conseguir dinheiro para isso.
Apostar valores cada vez maiores: sentir a necessidade de aumentar o valor das apostas para ter a mesma sensação de euforia de antes.
Fracasso ao tentar parar: tentar controlar, diminuir ou parar de jogar sem sucesso, sentindo irritação ou ansiedade ao tentar.
Esconder o hábito: mentir para familiares e amigos sobre o tempo e o dinheiro gastos com as apostas para encobrir o nível do envolvimento.
Usar o jogo como fuga: apostar para escapar de problemas ou aliviar sentimentos de culpa, ansiedade ou depressão.
Correr atrás do prejuízo: após perder dinheiro, voltar a jogar no dia seguinte para tentar recuperá-lo, um comportamento conhecido como "chasing losses".
Comprometer finanças e relacionamentos: pedir dinheiro emprestado, vender bens ou deixar de pagar contas para sustentar o hábito, gerando conflitos com pessoas próximas.
Onde buscar ajuda especializada
Reconhecer a existência de um problema é o passo mais importante. Como o vício em apostas frequentemente está associado a outras condições, como a dependência de álcool, o tratamento multidisciplinar é fundamental. Existem diversos canais de apoio, muitos deles gratuitos e anônimos, que oferecem suporte para quem deseja superar o vício. Confira algumas opções:
Jogadores Anônimos (JA): uma irmandade que segue um modelo de 12 passos, semelhante ao dos Alcoólicos Anônimos. As reuniões, presenciais ou online, são gratuitas e oferecem um ambiente de apoio mútuo. Os grupos podem ser encontrados no site oficial da organização no Brasil.
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferecem atendimento gratuito para pessoas com transtornos mentais, incluindo a compulsão por jogos. A equipe multidisciplinar pode incluir psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.
Terapia com psicólogo: a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes para tratar o vício. O profissional ajuda o paciente a identificar os gatilhos que levam ao jogo e a desenvolver novas estratégias para lidar com eles.
Autoexclusão em plataformas: uma medida de proteção em desenvolvimento pelo Governo Federal do Brasil é o Registro Nacional de Proibidos (Renapro), que visa permitir ao próprio jogador solicitar a suspensão de sua conta em sites de apostas regulamentados.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.