O que a ciência diz sobre o fascínio humano por profecias e videntes
De Nostradamus a Baba Vanga, a busca por prever o futuro é antiga; entenda por que nos sentimos tão atraídos por essas histórias
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A cada ano, as supostas previsões da vidente búlgara Baba Vanga para o futuro ganham as manchetes e alimentam conversas nas redes sociais. É importante notar, contudo, que não existem registros oficiais que comprovem a autenticidade de muitas dessas previsões, que frequentemente circulam através de relatos orais e interpretações posteriores. Esse fenômeno, longe de ser novo, ecoa o fascínio que figuras como Nostradamus despertam há séculos. A busca por respostas sobre o que está por vir é uma constante na história humana, impulsionada por necessidades psicológicas profundas em um mundo repleto de incertezas.
O principal motor por trás dessa atração é a necessidade de controle. Em momentos de instabilidade política, econômica ou pessoal, a ideia de que alguém conhece o futuro oferece uma sensação de ordem em meio ao caos. Saber o que esperar, mesmo que a previsão seja catastrófica, pode diminuir a ansiedade gerada pelo desconhecido, proporcionando um mapa mental para eventos que, de outra forma, pareceriam aleatórios e assustadores.
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A mente que quer acreditar
Nossa própria mente colabora para fortalecer essa crença por meio de mecanismos conhecidos como vieses cognitivos. O mais influente deles é o viés de confirmação, que nos leva a procurar, interpretar e lembrar de informações que confirmam nossas crenças preexistentes. Com as profecias, focamos nos poucos acertos e convenientemente esquecemos a grande maioria das previsões que nunca se concretizaram.
Além disso, muitas dessas previsões são intencionalmente vagas e abertas a múltiplas interpretações. Uma profecia sobre "uma grande tempestade que mudará o mundo" pode ser aplicada a uma crise financeira, uma guerra ou um desastre natural. Essa ambiguidade facilita a associação retrospectiva, permitindo que eventos sejam encaixados na previsão após acontecerem e criando uma falsa impressão de precisão.
Outro fator importante é o poder narrativo. Profecias são, em sua essência, histórias cativantes. Elas apresentam um enredo com personagens, conflitos e desfechos dramáticos que estimulam a imaginação. O apelo é semelhante ao de grandes obras de ficção, como a série “Game of Thrones”, nos envolvendo em uma trama sobre o destino da humanidade e nos permitindo explorar cenários extremos de forma segura.
Esse conjunto de fatores psicológicos explica por que, mesmo em uma era de avanços científicos e ceticismo, a atração por videntes e suas visões do futuro permanece tão forte. Apesar da falta de evidências, a busca por segurança, significado e uma boa história para dar sentido à complexidade da vida continua a alimentar esse fascínio.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.