A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu um passo decisivo em setembro de 2026 para ampliar a velocidade da internet móvel no Brasil. A agência abriu uma consulta pública, com prazo de 45 dias, para debater a futura licitação da faixa de 6 GHz para a telefonia celular. Após esse período de contribuições, a proposta poderá ser ajustada antes da versão final do edital.
O leilão, previsto para ocorrer até 2028, promete liberar mais espectro para as operadoras, o que pode dobrar a velocidade de dados e melhorar a qualidade do sinal, principalmente em áreas de grande concentração de pessoas.
Essa iniciativa é fundamental para a evolução do 5G e de futuras tecnologias de conexão no país. Além da ampliação do espectro, a proposta do edital inclui compromissos de investimento em infraestrutura digital, como a instalação de data centers de borda (edge data centers). A medida visa organizar o uso de uma frequência que hoje é parcialmente ocupada por outros serviços para alavancar a capacidade da rede móvel nacional.
Leia Mais
Com expansão do 5G, Brasil tem internet mais rápida das Américas
O que é o 5G e como a tecnologia já está mudando a sua vida diária
O que é a faixa de 6 GHz?
A faixa de 6 GHz é um espectro de radiofrequência que funciona como uma "avenida" para a transmissão de dados sem fio. Atualmente, parte dela é utilizada por serviços como o Wi-Fi 6E, mas a nova regulamentação proposta pela Anatel busca destiná-la também para a rede de telefonia móvel, ampliando o espaço disponível para o tráfego de dados do 5G.
Por ser uma "faixa média", ela oferece um equilíbrio ideal entre alcance de cobertura e alta capacidade de transmissão. Isso a torna extremamente valiosa para as operadoras, que buscam atender à demanda crescente por conexões mais rápidas e estáveis.
Como a faixa de 6 GHz vai melhorar a internet no celular?
A liberação de 700 MHz de espectro adicional na faixa de 6 GHz vai impactar diretamente a experiência do usuário. A mudança vai trazer melhorias práticas para o dia a dia, desde o download de arquivos até a estabilidade em locais públicos. Os principais benefícios esperados são:
Velocidade de download e upload: a capacidade extra vai permitir que as operadoras ofereçam conexões significativamente mais rápidas, com potencial para dobrar a velocidade média atual; isso significa baixar filmes, músicas e aplicativos em menos tempo;
Menor latência: o tempo de resposta da rede será reduzido, o que melhora a experiência em jogos on-line, videochamadas e outras aplicações que exigem comunicação em tempo real e sem atrasos;
Mais estabilidade em locais movimentados: a nova faixa ajuda a diminuir o congestionamento da rede em áreas com muitos usuários conectados ao mesmo tempo, como estádios, shows, shoppings e grandes centros urbanos.
Qual a diferença para o 5G atual?
A tecnologia 5G continua sendo a mesma, mas vai operar com mais "pistas" disponíveis. A faixa de 6 GHz não é uma nova geração de internet, mas sim uma expansão da infraestrutura atual. É como adicionar mais faixas a uma rodovia já existente: os carros (dados) podem trafegar com mais fluidez e em maior velocidade, evitando engarrafamentos.
Essa nova frequência complementa as outras já em uso pelo 5G, como as de 700 MHz, 2,3 GHz e 3,5 GHz, permitindo que a rede funcione de forma mais eficiente e robusta.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Quando a internet mais rápida chega ao consumidor?
O processo ainda vai levar alguns anos. Após a conclusão da consulta pública iniciada em 2026, será organizado pela Anatel o leilão do espectro, que deve ser finalizado até 2028. A partir daí, as operadoras vencedoras iniciarão o investimento na instalação de novas antenas e na adaptação da infraestrutura existente. A expectativa é que os benefícios comecem a ser percebidos pelos consumidores de forma gradual após 2028, começando pelas grandes cidades.
