O Brasil viveu uma verdadeira epidemia de golpes em 2025. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 2.261.055 casos de estelionato ao longo do ano, uma média de 258 por hora, ou quatro a cada minuto. O número é recorde e representa um crescimento acumulado de 429,8% desde 2018, quando esse tipo de crime passou a integrar a série histórica do levantamento.

Desse total, os golpes cometidos exclusivamente por meios digitais, como links, aplicativos, redes sociais e inteligência artificial, somaram 347 mil casos no ano, um salto de 20,6% em relação a 2024, uma média de cerca de 40 fraudes digitais por hora. O dado reforça a mudança de perfil da criminalidade patrimonial no país, cada vez mais concentrada no ambiente digital em detrimento dos crimes de rua: enquanto o estelionato dispara, roubos e furtos seguem em queda.

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Uma "economia criminal integrada"

O Anuário aponta uma mudança relevante na dinâmica do crime organizado por trás dessas fraudes. Pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificaram a atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que hoje mantêm verdadeiros "escritórios do crime" dedicados à prática de fraudes digitais em larga escala.

"O Brasil não está diante de um problema de estelionatários dispersos, mas de uma economia criminal integrada, com estrutura empresarial, financiamento faccional e capacidade de captura do sistema financeiro", afirma o relatório. Segundo os autores, qualquer medida que não ataque simultaneamente a estrutura organizacional dessas facções e seus canais de lavagem de dinheiro tende a ser ineficaz.

Justiça não acompanha o volume de casos

Apesar de mais de 2,26 milhões de ocorrências registradas pelas polícias em 2025, o Anuário mostra que a resposta do sistema de Justiça está muito aquém do problema: apenas 63.771 dessas ocorrências se transformaram em processos penais, e somente 4.819 pessoas foram presas por estelionato no ano. "Estamos falando de um tipo de ocorrência que está absolutamente fora de controle, e claramente as respostas do Estado mostram-se insuficientes", diz o levantamento.

Como agem os golpistas

Os esquemas fraudulentos se tornaram mais sofisticados e exploram temas do cotidiano para enganar as vítimas, combinando engenharia social com narrativas convincentes: falsas promoções, supostas vagas de emprego ou links sobre programas do governo. Entre as fraudes mais recorrentes estão o phishing (mensagens que se passam por bancos e lojas para roubar dados), o golpe do falso emprego (vagas atrativas que exigem pagamento de taxas), o falso PIX (QR Codes ou chaves adulteradas) e o golpe da mão fantasma (aplicativo espião que permite ao criminoso controlar remotamente o celular da vítima e realizar transações bancárias).

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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