A obesidade é considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que, em 2022, cerca de 43% dos adultos no mundo estavam acima do peso e 16% viviam com obesidade. No Brasil, o cenário também é alarmante: as taxas de sobrepeso e obesidade seguem em constante crescimento, refletindo mudanças no estilo de vida, no padrão alimentar e no ambiente nutricional.
Um dos principais focos da ciência nessa área é o chamado “gene da obesidade”, o FTO (Fat Mass and Obesity-Associated). Esse gene foi identificado em 2007 por meio de estudos de associação genômica ampla (GWAS), que encontraram variantes do FTO fortemente associadas ao índice de massa corporal (IMC) e ao risco de obesidade.
De acordo com o estudo seminal, indivíduos homozigotos para o alelo de risco do FTO apresentam, em média, 3 a 4 kg a mais de peso corporal e um risco cerca de 1,67 vez maior de obesidade. Essa descoberta marcou uma mudança importante na prática médica, ao demonstrar que o ganho de peso não depende apenas de “comer menos e se exercitar mais”, mas também de fatores genéticos que influenciam o metabolismo, o apetite e o armazenamento de gordura.
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Pesquisas posteriores mostraram ainda que o FTO pode interferir na formação das células adiposas (adipogênese) e é expresso em regiões do cérebro relacionadas ao controle da alimentação.
Para esclarecer os principais pontos sobre o tema, Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, explica os mitos e verdades sobre a relação entre DNA e obesidade.
1. “O gene FTO está associado ao risco de obesidade.”
Verdade.
Estudos indicam que pessoas com determinadas variantes do gene FTO podem apresentar até 50% mais risco de desenvolver obesidade e, em média, cerca de 3 kg a mais de peso corporal quando comparadas àquelas que não possuem essas variantes genéticas.
2. “O impacto da genética varia entre populações do mundo.”
Verdade.
A associação entre o FTO e o ganho de peso não é uniforme. Em algumas populações, como certos grupos asiáticos e da Polinésia, essa relação não se mostrou significativa, evidenciando que fatores ambientais, culturais e comportamentais exercem grande influência.
3. “Se tenho o gene FTO, inevitavelmente serei obeso.”
Mito.
Possuir variantes genéticas associadas ao ganho de peso não determina, por si só, o desenvolvimento da obesidade. A genética aumenta a predisposição, mas hábitos de vida saudáveis podem reduzir ou até neutralizar grande parte desse risco.
4. “A obesidade depende apenas da genética.”
Mito.
A obesidade é uma condição multifatorial. Alimentação inadequada, sedentarismo, fatores emocionais, sociais e ambientais desempenham papel fundamental no desenvolvimento da doença, muitas vezes com impacto maior do que o componente genético isolado.
5. “O estilo de vida pode influenciar o efeito da genética.”
Verdade.
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Uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o acompanhamento com profissionais de saúde são capazes de reduzir significativamente o impacto das variantes genéticas associadas à obesidade, reforçando que genética não é destino.
