Mais comum do que se imagina, a endometriose afeta cerca de 10% da população feminina global em idade reprodutiva, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas apesar da grande quantidade de mulheres afetadas, o diagnóstico na maioria das vezes é feito tardiamente. Como forma de conscientizar a população, a Rede Mater Dei explica como essa doença pode impactar a qualidade de vida das mulheres e a importância do diagnóstico precoce para realização de um tratamento adequado.



Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil uma em cada 10 mulheres sofrem com endometriose, doença que apresenta dor intensa como sintoma mais comum. Sua causa é marcada pela presença do revestimento interno do útero (endométrio), fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga.

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A médica ginecologista e coordenadora do núcleo de Ginecologia e Obstetrícia da Rede Mater Dei de Saúde, Cláudia Laranjeira, explica que o diagnóstico tardio é comum: “Existe uma normalização da dor, muitas mulheres têm cólicas e dores pélvicas e tendem a achar que isso é algo normal. É preciso fazer a população enxergar que sentir dor não é normal, uma vez que compromete o dia a dia. O diagnóstico precoce é essencial para entender quais tratamentos devem ser feitos, seja com medicações, uso de hormônios ou cirurgia”, comenta.

Doença crônica

A ginecologista ressalta que a doença crônica pode impactar de forma negativa em diversas áreas na vida da mulher: “A maioria dessas mulheres diagnosticadas estão no mercado de trabalho ou em período escolar e, por conta das dores intensas, há diminuição em média de 10 horas semanais em sua produtividade, consecutivamente, acaba afetando outras áreas da vida. É comum vermos uma diminuição da prática de exercício físico e piora na qualidade do sono. Além disso, na sexualidade, ocorre diminuição do desejo, frequência e orgasmos”.

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Não existe cura

Segundo a OMS, atualmente não existe cura conhecida para a endometriose, mas sim tratamentos que buscam controlar os sintomas. “Sempre que sem contra indicação, o uso de anticoncepcional deve estar presente no tratamento, mas em caso de falha do tratamento clínico, indica-se abordagem cirúrgica, com o objetivo de melhora da qualidade de vida. Para isso, é importante que a paciente seja avaliada por uma equipe multidisciplinar especializada. O acompanhamento e tratamento integrado mostra-se mais eficaz, uma vez que envolve mudança de estilo de vida, maior prática de exercício físico e dieta anti-inflamatória”, destaca Cláudia Laranjeira.

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