Reeleito, Lula promete mudar jeito de governar e fazer ‘o melhor mandato da história’
O petista fez dois discursos logo após o resultado do segundo turno. O primeiro, no hotel onde acompanhou a apuração. O segundo foi na Avenida Paulista, diante de uma multidão de apoiadores
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Ao discursar pela primeira vez após a vitória no segundo turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, disse que quer fazer a partir de 2027 o melhor mandato de toda sua trajetória política. O petista foi reeleito para um quarto ciclo à frente da Presidência da República, um feito inédito no Brasil. Ele prometeu investimentos na educação, na saúde e no desenvolvimento de tecnologias nacionais.
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“Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país. Pode ficar certo. Vou me dedicar vinte horas agora por dia para fazer desse país um país que todo mundo sonha”, afirmou durante o pronunciamento no Hotel Intercontinental, em São Paulo, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de dezenas de apoiadores.
Lula agradeceu o movimento puxado por jovens estudantes e às pessoas idosas que se mobilizaram no segundo turno em defesa de sua candidatura, ressaltando ter ficado emocionado com cenas que circularam nas redes sociais, mostrando pessoas com dificuldade de locomoção indo às urnas. Ele afirmou que sua vitória se deu também sobre a desinformação e o negacionismo. “Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira.”
A disputa foi acirrada. O petista obteve 51,79% dos votos válidos contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numa virada também inédita desde a redemocratização brasileira. A vitória foi confirmada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às 21h09 deste domingo, 25, após um dia de votação tumultuado devido à redução do fluxo de ônibus em várias capitais, o que teria prejudicado a chegada dos eleitores nas seções de votação.
Após o resultado, Lula subiu o tom em relação às plataformas digitais, indicando a necessidade de regular as chamadas “big techs”, chamadas de “monstruosas” pelo petista. “Vamos ter que regulá-las”, afirmou. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real.” Lula ainda reconheceu ter aprendido muitas lições na campanha deste ano, e que uma delas diz respeito à comunicação digital, área na qual sempre se colocou de forma mais arredia. Ele disse que, agora, passará a dar tratamento diferente à comunicação pelas redes, falando diretamente, e várias vezes ao dia, com a população.
Lula agradeceu o esforço do deputado André Janones (Rede-MG) na mobilização digital de seus apoiadores. O petista disse ter ganhado um celular do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que será usado para uma comunicação direta com as pessoas. “Essa eleição me ensinou muitas lições e nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões e a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande em nosso governo”, anunciou.
Ao falar sobre inteligência artificial, Lula disse que pretende desenvolver um sistema brasileiro, para que o país não dependa das fórmulas da China ou dos Estados Unidos: “Quero criar uma inteligência artificial brasileira para não ficar refém da chinesa ou da americana”. O presidente reeleito disse ainda que pretende dar mais atenção aos idosos, ao ensino integral e aos investimentos em saúde, destacando a intenção de melhorar o acesso ao tratamento de câncer. Também mencionou a implantação de unidades de terapia intensiva inteligentes e o uso da tecnologia para evitar mortes por falta de atendimento. Sobre segurança pública, voltou a afirmar que o governo federal pretende ampliar sua participação no enfrentamento ao crime. “Agora está provado que os estados não dão conta. Nós vamos entrar agora”, disse.
Relação com o Legislativo
Lula também projetou a relação que pretende estabelecer com o novo Congresso, de perfil mais conservador, e buscou enfatizar que saberá lidar com a composição escolhida pelo povo. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. E ele foi eleito para governar com base no respeito da Constituição, na relação com o Congresso. Já tem gente falando: o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está mais conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse Lula. Em Brasília, logo após o resultado, os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente, fizeram uma declaração pública reconhecendo publicamente o resultado das urnas.
Lula acompanhou a apuração no hotel, cercado de aliados e tendo ao lado a primeira-dama, Janja da Silva. Ele chorou no momento em que teve sua vitória confirmada, de acordo com pessoas que estavam no local. Com a voz bastante rouca, o presidente chegou a gravar vídeos para as redes sociais comemorando a virada sobre Flávio Bolsonaro, com 47,62 % das urnas apuradas. Flávio havia ultrapassado o petista quando a apuração totalizava 13,75%.
Citado pelo presidente, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), também recebeu agradecimentos, assim como o senador Camilo Santana. Assim que o resultado se consolidou, Lula abraçou a ministra das Mulheres, Marcia Lopes, que é irmã de um antigo amigo, Gilberto Carvalho, responsável por sua agenda de campanha. Ele também abraçou a ex-presidente Dilma Rousseff, que votou em Belo Horizonte pela manhã e foi para São Paulo para acompanhar a apuração.
Avenida Paulista
Um dos grandes responsáveis pela virada no segundo turno, o deputado Janones foi elogiado por Lula, que o chamou de “general”, e ovacionado pela militância, que reconheceu seu papel nas redes sociais. Pouco antes, Janones acionou o canal de WhatsApp que criou, o “Exército do Lula”, e pediu para que todos os inscritos lembrassem nas redes da tentativa recente de golpe de Estado, associando o episodio às restrições na circulação de ônibus em cidades do país neste domingo, e ordenou que os participantes reproduzissem um áudio com a voz do narrador Galvão Bueno comemorando o tetracampeonato da Seleção.
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Após a declaração no hotel, Lula seguiu para a Avenida Paulista, onde foi recebido por uma multidão. Já passava de meia-noite quando ele ainda discursava sobre um carro de som. Assim como fizera no último ato antes do segundo turno, o presidente reeleito pediu que fosse executado o Hino da Independência, reiterando o discurso de que o Brasil não deve se sujeitar a interferências estrangeiras. Sobre o carro de som, ele voltou a dizer que pretender fazer seu melhor mandato como presidente da República.