Flávio ou Lula: o fim de uma eleição marcada por rejeição (de novo) e desconfiança
Entre duelo de sigilos, investigações e ataques mútuos, os candidatos do PL e do PT encerram neste domingo um segundo turno nas ruas, nas redes e nas urnas, sem o aprofundamento de propostas, como tristemente esperado
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Neste domingo, 25, chegará ao fim a corrida presidencial que muitos consideram ter sido a pior desde a redemocratização.
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O país não conseguiu sair da polarização e, de novo, sem discutir propostas minimamente, irá às urnas para escolher um número e um nome, após mais um insistente duelo de rejeições.
Flávio Bolsonaro, um improvável candidato à Presidência da República, venceu as resistências, conseguiu puxar para si os votos do pai, consolidou-se como “o nome da direita” e iniciou a etapa final da eleição como grande favorito.
Nos dias seguintes ao primeiro turno, quando ficou à frente de Lula, o senador viu seu entorno mergulhar na euforia. Os políticos mais experientes do grupo não conseguiram conter o clima de “já ganhou”. Tinha gente especulando sobre a Esplanada de um eventual governo Flávio e até prevendo um acordo com o STF.
Aquela velha história de “cantar vitória antes da hora”, estimulada, neste caso, também pelo excelente resultado da direita no Congresso, cegou parte da campanha do PL. A turma relaxou e perdeu tempo celebrando o que ainda não estava conquistado.
Quando se deram conta disso, Flávio e aliados tiveram de correr atrás do terreno perdido. Era preciso mobilizar gente no país inteiro, manter o ânimo lá em cima e fazer o básico: buscar votos. Enfim, alguém na campanha foi ouvido ao dizer que “o jogo só acaba quando termina”.
O apoio do Centrão a Flávio no segundo turno já era esperado. Foi bom para o candidato politicamente, claro, mas não fez muito barulho do ponto de vista eleitoral. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), derrotados no primeiro turno, declararam apoio a Flávio, mas sumiram da campanha.
Ficou difícil para Flávio convencer todos os aliados a colocar o pé na estrada e mergulhar no segundo turno. Por quê? Muitos já tinham garantido seus mandatos e queriam mesmo era descansar (ou festejar), sem se importar tanto assim com Flávio, que davam como eleito.
Quem não parou foi Nikolas Ferreira, deputado reeleito por Minas Gerais com mais de 3 milhões de votos. Em apoio a Flávio, mas de olho na própria projeção nacional, é evidente, estendeu o “Bloquinho do 22”, criado por ele, a outras cidades e conseguiu reunir multidões nas ruas.
O ex-coach Pablo Marçal ganhou mais espaço na campanha do PL no segundo turno, inclusive sendo cotado para comandar um tal de Ministério da Prosperidade, que será criado caso Flávio vença a eleição. Mas, como conselheiro de debate, Marçal não foi tão incensado: alguns aliados rechaçaram a postura de Flávio no programa da Band e reivindicaram mudanças para o da Globo.
Do lado de Lula, tudo o que o presidente e candidato à reeleição precisava e não teve no primeiro turno ele conseguiu no segundo: mobilização e uma estratégia digital que encaixasse.
Com Flávio na dianteira e aliados importantes de Lula derrotados no primeiro turno, o comando do PT entrou em parafuso nos primeiros dias da etapa final. Houve ensaio de autocrítica e vazamentos de “lavagem de roupa suja” em reuniões que deveriam ter sido realmente fechadas.
O aparente caos, no entanto, fez surgir uma nova campanha. Lula mexeu em coordenadores, trouxe gente e sangue novos e começou a apostar numa virada que, se concretizada, será inédita e histórica.
Espontaneamente, petistas ocuparam as ruas: as manifestações vermelhas deram a largada já no primeiro fim de semana do segundo turno, antes, portanto, do “Bloquinho do 22”. As imagens mostravam estudantes e “eleitores raiz” da esquerda perdendo a vergonha de escancarar apoio no 13 e não aqueles mesmos grupos ligados a movimentos sociais, à CUT e ao MST, por exemplo.
Nem do lado de Flávio foi possível contestar o forte movimento pró-Lula. Ainda mais quando André Janones, deputado da Rede e mineiro como Nikolas, começou a liderar o chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que viria a ter milhões de inscritos. Enfim, a esquerda conseguiu encontrar chão nas redes, até então dominadas pela direita. Janones conseguiu o que a campanha oficial do PT não havia conseguido.
Ao contrário de boa parte dos aliados de Flávio, a turma do PT que perdeu a eleição se engajou com mais vontade no segundo turno presidencial: era a chance que muitos ali tinham de, uma vez Lula reeleito, continuar com cargos em Brasília.
Flávio chega ao dia de hoje, 25 de outubro de 2026, com um monte de pontas soltas em investigações que esbarram nele, insistindo no discurso de que representa a “mudança” e um “novo Brasil pós-Lula”. A todo instante, martelou temas como segurança pública e custo de vida e apostou no desgaste da imagem de Lula e no antipetismo.
Lula, por sua vez, encara sua provável última eleição como, repetindo 2022, mais uma chance de se mostrar como uma “opção segura” contra “aventuras bolsonaristas”. Desviando, assim como Flávio, de investigações, como a do INSS e os rolos envolvendo seu ex-chefe de gabinete, o presidente acredita que a virada é possível graças ao “medo” de um governo Flávio no eleitorado independente.
Economia, saúde, educação: esquece! Nada disso foi aprofundado nem no primeiro nem no segundo turno entre Flávio e Lula, que, aliás, só estiveram juntos no mesmo ambiente em dois momentos ao longo de toda a campanha, nos debates da Band e da Globo.
Ganhe quem ganhar, as eleições de 2026 ficarão marcadas por ameaças mútuas de mais e mais escândalos e por um duelo de sigilos bastante sintomático na reta final, que só comprova que estamos diante de dois candidatos enlameados.
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Veremos quem será parcamente limpo pelas urnas.