A teologia que entrou na campanha de Flávio Bolsonaro e virou promessa de ministério
No embate com Lula, candidato do PL aposta em conceito ligado ao mundo evangélico e escolhido como um dos motes para vender promessa de bonança econômica
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No debate da Band, no último domingo, 18, Flávio Bolsonaro anunciou que, se eleito presidente, criará o Ministério da Prosperidade.
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“Você que está precisando de ajuda do governo de verdade: eu vou criar o Ministério da Prosperidade, vou cuidar de você de ponta a ponta”, disse o candidato do PL, olhando para as câmeras.
O termo “prosperidade”, como esta coluna antecipou, foi escolhido como um dos motes da campanha de Flávio ainda em maio, cinco meses atrás.
A estratégia sempre foi associar a ideia de prosperidade, por exemplo, à responsabilidade fiscal, à segurança jurídica e à promessa de um tempo de bonança pós-PT.
Mais do que isso: usar a conexão com o eleitorado evangélico para vender, de maneira geral, uma ideia política atrelada à fé.
A chamada Teologia da Prosperidade surgiu em meados do século XX nos Estados Unidos e chegou ao Brasil a partir da década de 1970, moldando a identidade e impulsionando igrejas pentecostais e neopentecostais.
Essa corrente religiosa protestante defende a riqueza financeira, o sucesso material e a saúde física dos fiéis como manifestações da graça espiritual. Dos púlpitos das igrejas, pastores muitos dos quais acabam se transformando em coaches ensinam que a prosperidade econômica é sinal direto do favor e da aprovação divina.
A igreja frequentada por Flávio Bolsonaro em Brasília é uma dessas igrejas que tiveram um boom no país. Os políticos evangélicos que estão com Flávio são quase todos da mesma linha.
No “Evangelho da Riqueza”, como também é conhecida essa teologia, os fiéis são doutrinados a crer que podem decretar a riqueza por meio do desejo expresso em forma de oração. Quanto mais vigor na crença e nos pedidos de ventura, melhor.
Em alguns templos, tudo isso é associado a dízimos e ofertas: o “investimento espiritual” por meio das doações traria uma espécie de retorno divino.
No próprio universo evangélico, há duras críticas à Teologia da Prosperidade. Igrejas cristãs históricas consideram essa doutrina uma “paganização do cristianismo”, por transformar Deus em instrumento a serviço de desejos materiais humanos. Os críticos sustentam, ainda, que os ensinamentos contrariam o conteúdo bíblico.
Pablo Marçal, conselheiro de Flávio neste segundo turno, fez fortuna, entre outras atividades, explorando justamente esse pensamento. Agora, auxilia o filho 01 do ex-presidente a se preparar para os debates o segundo e último será nesta sexta-feira, 23, na TV Globo. O ex-coach é cotado para o eventual novo ministério.
A Teologia da Prosperidade, ninguém nega, tem uma mensagem prazerosa, carrega um forte apelo emocional, é fácil de pregar e de assimilar. Não à toa, Lula também passou a flertar com o conceito nesta campanha presidencial.
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A teologia sobre a qual não há consenso entre cristãos virou estratégia política, com potencial de virar nome de ministério e política de Estado em 2027.