Centrão corre para conter ‘efeito Nikolas’ enquanto ainda tem maioria na Câmara
Ao todo, dez partidos estão mobilizados para aprovar uma proposta que modifica as regras para as eleições parlamentares. O modelo buscar diminuir o poder dos grandes puxadores de voto, caso de Nikolas Ferreira nestas eleições
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A eleição de 121 deputados do PL acendeu um alerta entre os partidos do Centrão no Congresso Nacional. Diante da perspectiva de perda de poder não apenas na legislatura que começa em fevereiro, mas também do risco nas próximas eleições, parlamentares que integram as siglas do grupo que hoje é predominante tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado correm para tentar aprovar uma reforma eleitoral antes de a configuração das duas casas mudar, no ano que vem.
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O objetivo principal da ofensiva é frear, ao menos em parte, o chamado “efeito Nikolas”, como passou a ser chamado o fenômeno dos puxadores de votos, em que políticos com votação acabam elegendo de arrasto vários outros correligionários — muitos deles, com resultado pouco expressivo nas urnas — pelas regras da proporcionalidade. A referência, claro, é ao deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL), que em 4 de outubro teve quase 3,2 milhões de votos e puxou para a lista de eleitos outros 13 nomes do partido. No passado, Enéas Carneiro e Tiririca protagonizaram situações semelhantes.
O que está em jogo é uma proposta que já foi aprovada pelo Senado e estabelece que, depois de os estados serem divididos por distritos, os partidos devem indicar candidatos para disputar as vagas de cada região e vencem os que tiverem o maior número de votos, sem puxar outros integrantes da legenda. A outra metade das vagas permaneceria cumprindo a proporcionalidade prevista na lei eleitoral, com votação em lista fechada, pré-ordenada pelos partidos em convenção. Hoje, a eleição para deputado ocorre em listas que são ordenadas pela quantidade de votos que cada candidato recebeu. Os votos recebidos pelos candidatos e pelos partidos são considerados para definir a distribuição das cadeiras entre as legendas ou federações.
O movimento para aprovar essa proposta ainda nesta legislatura, antes de as grandes bancadas eleitas pelo PL assumirem, é puxado pelo PSD, partido de Gilberto Kassab, e pelo Republicanos, comandado por Marcos Pereira e que tem também em seus quadros o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). Mas não fica por aí. Ao todo, dez partidos estão articulados na iniciativa, incluindo o União Brasil, o PP, o MDB, o Podemos, o PSDB, o Cidadania, o Solidariedade e o PRD.
A ideia é começar as discussões já na semana que vem. O plano é aprovar a proposta na primeira semana de novembro, considerando que, atualmente, os partidos engajados em favor da aprovação somam 271 votos, mais que os 257 necessários. O argumento usado pelos deputados do Centrão é o de que, no novo modelo, o eleitor conhecerá melhor os candidatos nos quais ele estará votando para ser o seu representante na Câmara. “Vamos começar a ter reuniões a partir da semana que vem para já organizar essa votação. O que se espera é uma proximidade maior entre os deputados com as suas bases eleitorais”, argumentou o líder do PSD na Câmara, deputado Antonio Brito (BA).
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Ao se colocar como um dos principais articuladores da ideia, Hugo Motta também usa a discussão como forma de angariar apoio para sua recondução ao cargo no próximo ano, apesar de maior bancada ser do PL. No ano passado, ele tentou colocar o texto em votação, mas enfrentou resistência forte do PT e do PL, siglas que ainda são contrárias à mudança. A resistência continua. Enquanto o PL argumenta que a mudança causará confusão na cabeça do eleitor, o PT argumenta que ela servirá a interesses de elites locais.