Flávio transforma sabatina da Globo em ensaio para duelo com Lula nos debates

Entrevista foi marcada por críticas ao presidente e ao STF e pela promessa de mandato único, caso eleito no próximo dia 25. Candidato do PL se soltou, confrontou a emissora e terminou pedindo voto diretamente ao público

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A sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo, nesta sexta-feira, 16, começou com panelaços registrados em várias cidades, após uma convocação de André Janones e do “exército de Lula”.

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O candidato do PL à Presidência da República parecia travado nos primeiros minutos. Aos poucos, porém, foi se soltando e terminou pedindo voto, olhando para a câmera coisa que o petista não fez na sabatina da véspera.

De paletó e sem gravata, como na entrevista do primeiro turno, Flávio agradeceu à Globo pela “oportunidade” logo na largada. Mais cedo, havia almoçado com executivos da emissora, o que levou Lula a dizer, em ato de campanha em Minas Gerais, que “a Globo está sob suspeição”.

Renata Lo Prete, a entrevistadora, no entanto, foi firme com Flávio. Tocou em assuntos polêmicos durante toda a entrevista, de 40 minutos. Com Lula, nomes espinhosos como Lulinha e Marcola ficaram de fora do roteiro.

O filho 01 de Jair Bolsonaro parecia bem treinado, com frases e expressões de efeito. Sempre que havia brecha, criticava Lula, explorava o tema da segurança pública e martelava a palavra “mudança”, um evidente mote da campanha neste segundo turno.

Em algumas ocasiões, como quando tentou explorar uma reportagem recente da Veja sobre suposto financiamento de Daniel Vorcaro também ao filme de Lula, Flávio foi interrompido por Lo Prete, que argumentou que gostaria de focar em fatos apurados ou confirmados pelo jornalismo da Globo.

O senador voltou a dizer que, se eleito, se compromete a exercer um único mandato. Flávio é autor de uma PEC que propõe o fim da reeleição para presidente da República.

“Estou aqui me comprometendo: eu só preciso de um mandato, eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade. Não quero começar um mandato já pensando na reeleição. Isso é para mostrar que eu tenho desapego ao poder”, disse ele, acrescentando, sem citar nomes, que “não faltam novas lideranças na direita”.

A proposta de Flávio inclui a proibição de que parentes até o terceiro grau disputem a eleição seguinte. Questionado por Lo Prete, ele afirmou, inclusive, que, em caso de vitória no próximo dia 25, o irmão Eduardo não será chanceler e que um cargo para o pai, Jair Bolsonaro, em eventual governo “não está no radar”.

Quando o STF entrou na pauta da entrevista, Flávio mirou, como esperado, Alexandre de Moraes e falou em “amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal se protegendo para que investigações não avancem sobre eles”. Perguntado se Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, também deveria ser investigado por suas relações com o caso Master, respondeu que “a lei tem que valer para todo mundo”. Foi esse mesmo raciocínio que Lula adotou quando, na sabatina do dia anterior, foi provocado a comentar possíveis investigações envolvendo Moraes.

“Moraes é articulador político do Lula em Brasília. Foi ele quem fez as pazes do Lula com o Alcolumbre. Estão todos unidos”, disparou Flávio.

Ainda sobre o caso Master, Flávio voltou a se defender sobre os milhões de Daniel Vorcaro destinados à produção do filme Dark Horse, que chamou de “obra-prima”. O candidato insistiu que “a produtora prestou contas de tudo” e que repetiria quantas vezes fosse necessário que se tratou de “uma relação privada”.

Flávio jogou para a galera ao cutucar a Globo, citando repasses do Master ao programa de Luciano Huck e o episódio da semana que obrigou a emissora a demitir um de seus principais executivos por sua relação com Vorcaro. Com isso, forçou Lo Prete a gastar algum tempo apresentando esclarecimentos em nome da empresa.

Enquanto se ajeitava na cadeira, tomava um gole dágua e tirava algum cisco do olho, Flávio foi se sentindo mais à vontade para antecipar, já na sabatina, o embate que deverá ocorrer com Lula nos dois debates: um na Band, neste domingo, 18, e outro na própria Globo, no dia 23.

Flávio disse que Lula está “circulando fake news” e “promovendo terrorismo”. Também zombou do presidente pela declaração, na véspera, de que não sabia que o Bolsa Família estava sem atualização de valores, com o reajuste anunciado às vésperas do primeiro turno.

“Ele esqueceu, mas eu vou lembrar de você todos os dias do meu governo. Ele engana as pessoas para conseguir voto, eu não”, afirmou o candidato do PL, novamente olhando fixo para a lente da câmera.

Sobre economia, Flávio não foi muito concreto ao tratar da questão fiscal. Prometeu cortar gastos por meio do “combate à corrupção e gestão com IA”. Citou a exploração de petróleo na Margem Equatorial, mas foi lembrado por Lo Prete de que a Petrobras já informou que a receita dali só deve começar em 2033.

“Não vou fazer economia com as pessoas mais pobres. Tem de onde tirar”, afirmou o candidato, antes de dizer que mudou de ideia sobre o fim da escala 6×1 porque resolveu “seguir a vontade da maioria dos trabalhadores”.

Ao se referir aos ataques de 8 de janeiro de 2023, Flávio falou em “golpe da Disney” e em “farsa” para tirar Jair Bolsonaro da vida pública. O filho do ex-presidente também afirmou que respeitará o resultado das urnas, mas fez questão de ponderar que “o Brasil vai escolher a mudança”. Em seguida, disse que será o próximo presidente, “em nome de Jesus”.

Nas respostas sobre segurança pública, Flávio defendeu armas para “cidadãos ordeiros” e chamou de “tese maluca” o que ele próprio descreveu como a ideia de que “mais armas causam mais violência”. “Ninguém está defendendo bang bang. O problema está nas armas nas mãos das pessoas erradas”, comentou.

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Na conclusão, Flávio voltou a deixar Lo Prete de lado e, voltado para o público que assistia à sabatina, lembrou que o voto é secreto. “Consegue mais um votinho para mim e não deixe ninguém te ameaçar”, afirmou. Naquele momento, o panelaço voltava com força em vários pontos do país.

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