Os dois lados veem pragmatismo de Moraes ao liberar visitas de Flávio ao pai
Para aliados do senador, trata-se de um novo aceno do ministro ao candidato do PL. Governistas interpretam a decisão como um "gesto de sobrevivência" diante da ameaça de impeachment
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A decisão de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou Flávio Bolsonaro a retomar as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi recebida entre aliados do candidato do PL ao Palácio do Planalto como um novo aceno do ministro faltando duas semanas para o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Moraes se vê sob pressão diante da possibilidade de Flávio vencer a corrida presidencial, mais ainda após uma onda de direita ter garantido uma parcela significativa de assentos no Senado, o que amplia as chances de aprovação de processos de impeachment de ministros da corte.
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Para correligionários de Flávio Bolsonaro ouvidos pelo PlatôBR, a liberação dos encontros foi lida como mais um dos gestos que Alexandre de Moraes vem fazendo desde o resultado do primeiro turno. Eles citam como parte desse movimento a decisão do ministro que permitiu a progressão de regime para condenados pelos atos de 8 de Janeiro, além da atuação, nos bastidores, de Michel Temer, responsável por indicar Moraes ao STF. Temer, aliás, declarou apoio ao candidato do PL. “Moraes está sendo pragmático”, disse, sob reserva, um integrante da campanha de Flávio.
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Do outro lado da disputa presidencial, adversários de Flávio Bolsonaro também enxergam pragmatismo no gesto de Alexandre de Moraes. Aliados de Lula não veem, por óbvio, um alinhamento de Moraes aos interesses do candidato do PL — até porque, nos últimos dias, o ministro determinou também o início do cumprimento da pena da pena de prisão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Mas entendem haver um movimento de “conveniência” e “gestos de sobrevivência” de Moraes diante da pressão crescente por sua saída do tribunal. A liberação dos encontros de Flávio com Jair Bolsonaro segue parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que se manifestou a favor das visitas.