Após votação histórica, Erika Hilton avisa: ‘Não sou do tipo de ficar calada’

Reeleita com 1,59 milhão de votos, deputada do PSOL prevê bancada LGBTQIA+ maior, promete ajudar Lula e antecipa confronto político com a nova direita no Congresso

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A votação recorde parece ter dado a Erika Hilton (PSOL-SP) mais do que um segundo mandato. Reeleita com 1.596.472 votos, contra 256.903 em 2022, a parlamentar se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara e chega à próxima legislatura com um capital político muito maior do que aquele com que desembarcou em Brasília quatro anos atrás. Em entrevista ao PlatôBR, ela já sinaliza como pretende usá-lo: “Teremos um grande reforço na bancada LGBTQIA+ no Congresso”.

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Hilton também se coloca à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que depende de uma virada inédita no segundo turno para se reeleger, mas deixa claro que não pretende restringir a atuação aos corredores de Brasília. “Estou pronta para ajudar o presidente Lula no que for, mas também vou para as ruas” afirmou. A deputada diz que pretende percorrer o país para discutir o que considera riscos aos direitos da população LGBTQIA+ e sustenta que conquistas como união homoafetiva, adoção por casais do mesmo sexo e a criminalização da LGBTfobia permanecem especialmente vinculadas a decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). 

A preocupação é projetada pela parlamentar diretamente sobre a disputa presidencial. Hilton afirma ver na possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) chegar ao Planalto um risco à comunidade LGBTQIA+, sobretudo pelas futuras indicações ao STF. A declaração insere a deputada reeleita numa disputa que vai além de seu próprio mandato: com votação mais de seis vezes superior à de 2022, Hilton emerge das urnas como uma das principais vozes eleitorais da esquerda no país. Com 1,59 milhão de votos, alcançou ainda a terceira maior votação individual para deputado federal no Brasil em 2026, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). 

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O recado para a nova Câmara, que toma posse em 1º de fevereiro de 2027, é ainda mais explícito. Ao comentar a chegada de novos representantes da direita, Hilton afirmou que não pretende recuar no embate. “Não sou do tipo de ficar calada. Todos sabem que tenho voz e vou usá-la sempre que for preciso”. Também criticou adversários que, segundo ela, privilegiam “recortes para redes sociais” em detrimento do aprofundamento dos debates de interesse da população. “Não é de agora e deve, sim, piorar no ano que vem esse circo, essa lacração, criada só para alimentar a claque das redes sociais”.

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