Campanhas de Flávio e Lula preparam batalha na região com maior abstenção no país

O Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, historicamente dá um grande volume de votos ao petista, mas neste ano registrou taxas enormes de abstenção. Comitê de Flávio vê desculpa esfarrapada nas explicações que o PT dá para o fenômeno

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Faltando pouco mais de duas semanas para o segundo turno da disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro se movem para travar uma batalha particular pelos votos do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais. O petista quer intensificar a campanha na região, onde costuma ter um grande contingente de apoiadores, mirando principalmente quem não foi no primeiro turno. A interlocutores, Lula já reclamou que faltou, na primeira etapa da eleição, uma visita às cidades do vale. Do outro lado, a equipe de Flávio também está de olho nesse front e planeja uma ofensiva com a ajuda do governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo, do Republicanos, para evitar um avanço do petista na região.

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Uma das regiões mais pobres do país, o Vale do Jequitinhonha é considerado o maior bolsão de votos a serem conquistados pelas duas campanhas. Foi justamente de lá que vieram os maiores índices de abstenção no primeiro turno — 8 dos 10 municípios com as maiores taxas estão no norte mineiro. Rio Vermelho, no coração do vale, teve um percentual de eleitores ausentes de 40,09%, a maior taxa do país, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nos arredores, cidades como Santo Antônio do Itambé, Santa Maria do Suaçuí, Chapada do Norte, Jenipapo de Minas, Cruzeiro Novo e Materlândia registraram abstenções entre 36,33% e 39,55%. 

A campanha de Lula atribui a ausência dos eleitores à colheita do café no sul de Minas, que historicamente atrai trabalhadores que vivem na informalidade na região norte. Até por isso, a perspectiva não é das mais otimistas no comitê petista, uma vez que muitos trabalhadores que migraram para o sul no primeiro turno devem seguir fora até o início de novembro. Aliados de Flávio veem nesse argumento uma tentativa de justificar o desempenho ruim de Lula na região nas eleições deste ano.

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“Trata-se de uma desculpa esfarrapada dos petistas. Eles partem do princípio de que esses trabalhadores que estão lá votariam no Lula. Tem quem é esquerda, quem é lulista e sofreu lavagem cerebral. Mas tem pessoas simples que votaram no Lula e sentem que a vida deles não está melhorando”, dispara o senador eleito Domingos Sávio (PL), aliado de Flávio, que se encarregou de articular a visita do presidenciável à região. Tanto de um lado quanto de outro, as viagens ao Vale do Jequitinhonha ainda não estavam marcadas até esta quinta-feira, 8.

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