Senado dá partida na 6×1, mas dúvidas sobre próximos passos de Alcolumbre persistem
O presidente do Senado sinalizou que a votação pode ocorrer na próxima semana, mas há quem aposte que os próximos passos dependem do desenrolar da corrida presidencial. Na primeira das várias sessões que precisam ocorrer antes da decisão do plenário, governistas monopolizaram a tribuna
compartilhe
Começou a tramitar no Senado a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Na sessão desta terça-feira, 6, a primeira das cinco discussões necessárias antes da votação, o que se viu foi uma ofensiva da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em favor da aprovação do texto. A mudança na jornada semanal de trabalho já tinha peso de ouro para a campanha de Lula como trunfo eleitoral e passou a valer ainda mais após a derrota para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Não faltaram sinalizações e recados do presidente Davi Alcolumbre (União-AP), a quem cabe, na prática, definir os próximos passos da tramitação — e se haverá decisão final antes do segundo turno.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A discussão foi monopolizada pelos governistas. A exceção coube ao senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) único a se posicionar contra a tramitação da PEC. Entre os que defenderam a proposta estavam senadores recém-reeleitos para a próxima legislatura, como Humberto Costa (PT-PE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), além de derrotados nas urnas que se despedem do mandato a partir de 2027: Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Zenaide Maia (PSD-RN). A sessão também marcou o retorno de Renan Filho (MDB-AL) ao Senado, após a derrota no primeiro turno para João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, na disputa pelo governo de Alagoas.
Do outro lado a maioria das cadeira estava vazia. Apenas seis dos 15 senadores que hoje compõem a bancada do PL registraram presença Efraim Filho (PB), Izalci Lucas (DF), Eduardo Gomes (TO), Magno Malta (ES), Wilder Morais (GO) e Marcio Bittar (AC). Nenhum deles participa ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que não apareceu. A desmobilização da oposição escancarou a estratégia bolsonarista de boicotar o debate e esfriar a mobilização em torno da proposta.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Antes de dar a largada, Alcolumbre tratou de ditar o ritmo: avisou que a proposta seguirá o rito regimental à risca, “sem atropelos e sem acelerar nada”. Ele sinalizou, porém, que pretende levar o texto ao plenário para votação em primeiro turno em 15 de outubro, a dez dias do segundo turno. O hiato, na avaliação de governistas, servirá para medir a temperatura do plenário e testar o ambiente. Aliados de Lula apostam que o pêndulo de Alcolumbre tende a ficar do lado petista nesta reta final, ainda mais diante da ofensiva de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, para ocupar o comando do Senado a partir do ano que vem. Essa não é, porém, uma certeza. Como um legítimo representante do Centrão, Alcolumbre pode mudar de ideia a depender das próximas pesquisas e do que mais houver de sinais sobre o sprint final da sucessão presidencial.