Jornada 6×1 volta à pauta e testa o jogo de Alcolumbre após resultado de domingo
A proposta que reduz a jornada de trabalho ganha novo peso e pode ser um trunfo para Lula, que se vê obrigado a construir uma virada inédita no segundo turno da corrida presidencial. Há dúvidas se dianteira de Flávio Bolsonaro fará Davi Alcolumbre mudar de planos
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A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais não ligou o sinal vermelho apenas na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição e adversário do bolsonarista no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O alerta também ecoa na base do governo no Congresso, especialmente no Senado, onde os governistas vivem a expectativa de recolocar no centro do debate a proposta que prevê a redução da escala 6×1. Entre os senadores aliados ao petista, o temor é de que o resultado das urnas possa influir no andamento da sessão desta terça-feira, 6, convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir a medida.
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Da campanha ao tapete azul que leva ao plenário da casa, é uníssono o entendimento de que a postura do próprio Alcolumbre será o termômetro do clima no Senado para que a proposta avance. Governistas ouvidos pelo PlatôBR se dividem sobre qual deve ser o encaminhamento dele em relação ao assunto: manter o apoio a Lula mesmo após o resultado de domingo, 4, e fazer avançar uma pauta que nunca foi tão cara para Lula ou, alternativamente, “pular o muro” e se aproximar do PL, partido que terá a maior bancada no Senado a partir de 2027 serão 28 senadores e que resiste a discutir a proposta antes do resultado final da eleição por entender que ela favorece o petista.
É certo entre os governistas, também, que Alcolumbre decidirá com a próxima legislatura no horizonte. No próximo ano, quando tomarão posse os 54 senadores eleitos neste domingo, 4, o presidente do Senado tentará se reeleger para o comando da casa e precisará construir o apoio diante de um PL que terá a maior bancada e não pretende abrir mão da disputa. Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, já anunciou que Rogério Marinho (PL-RN) quer a vaga de Alcolumbre. Ainda assim, no entorno do presidente do Senado a avaliação é de que barrar a proposta pode render pontos com Flávio e com o próprio PL e abrir espaço para futuras negociações.
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A proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz de 44 para 40 horas semanais a jornada de trabalho foi pautada por Alcolumbre para esta semana às vésperas do primeiro turno. O movimento tem sido explorado pelo governo Lula e pelo PT na tentativa de impulsionar a candidatura do presidente à reeleição. O tema impõe um dilema à oposição, especialmente a Flávio, que após o resultado de domingo pode recalibrar a estratégia diante de um Congresso que já está desenhado para a próxima legislatura. Pelo regimento do Senado, uma PEC precisa passar por cinco sessões de discussão. O prazo, no entanto, pode ser reduzido caso haja acordo entre os líderes. Com Lula precisando de uma virada inédita, a proposta volta a ter peso de ouro, assim como a postura de Alcolumbre. A quem, afinal, ele vai servir?