Na comparação com 2022, Lula derreteu em cidades pequenas do interior do Brasil
O petista derreteu em municípios com menos de 5 mil habitantes, principalmente em estados como Goiás, Tocantins e Rio Grande do Sul
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05/10/2026 17:02
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Uma derrota que vem do interior do país. Um cruzamento do mapa de votação do primeiro turno da eleição presidencial deste ano com o primeiro turno de 2022 mostra que a derrota de Luiz Inácio Lula da Silva para Flávio Bolsonaro vem, principalmente, das cidades pequenas. Lula perdeu votos em 98% dos municípios brasileiros, só que a queda foi mais acentuada em municípios com menos de 5 mil habitantes, segundo um levantamento do cientista político e de dados Marco Antônio Faganello, pesquisador do Cepesp (Centro de Política e Economia do Setor Público) e da FGV (Fundação Getulio Vargas), a partir de números do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do Censo 2022.
Se na média nacional Lula caiu 3,3 pontos percentuais em relação ao primeiro turno de quatro anos atrás, o derretimento do petista nos municípios menores teve um peso bem maior, de 7,2 pontos percentuais, contra uma queda de 1,1 ponto percentual naqueles municípios com mais de 500 mil habitantes. Em suma, a derrota do petista para Flávio Bolsonaro no primeiro turno se deu, em grande medida, no interior do país. Nas capitais, em linhas gerais, Lula conseguiu manter a votação de 2022, caindo em média apenas 0,6 ponto percentual, com exceção de Macapá, Belém, Aracaju, Recife e Brasília, onde ele cresceu. No interior de forma geral, a queda foi de 4,1 pontos — mesmo na comparação com cidades de porte parecido, nas capitais a perda foi menor.
Os números mostram que nas regiões onde o agronegócio pesa mais, o petista perdeu mais: nos municípios onde a agricultura e a pecuária respondem por mais da metade da economia local, a queda foi de 8,8 pontos percentuais. Outro fator que merece análise, na opinião de Faganello, é a questão da segurança pública, já que facções que antes atuavam em cidades maiores passaram a aterrorizar também moradores do Brasil rural. “Ainda não se tem uma explicação muito convincente. Para se entender o motivo, é necessário se analisar outros fatores demográficos que o estudo das urnas pode apontar”, diz o pesquisador. Além disso, uma hipótese a ser considerada é o próprio cardápio de propostas do petista. Pautas como a questão da soberania e da exploração de minerais críticos, escolhidas como parte da linha mestra da campanha petista no primeiro turno, tendem a ter mais adesão entre moradores das áreas urbanas mais adensadas.
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